Cozinhar em casa, prática conhecida mundialmente como home cooking, tornou-se uma das tendências mais marcantes da atualidade no campo do comportamento e do consumo. Mais do que uma simples conveniência cotidiana, o movimento simboliza o resgate do preparo artesanal das refeições, impulsionado por transformações sociais, econômicas e culturais que modificaram a forma como as pessoas se relacionam com a comida.
Segundo levantamento da Worldpanel by Numerator, o comer alimentos preparados no lar aumentou 5,5% no primeiro trimestre de 2025, em comparação ao mesmo período do ano anterior. O avanço revela não apenas um reflexo de medidas econômicas, mas também uma mudança de mentalidade: cozinhar passou a ser entendido como um gesto de cuidado, bem-estar e autonomia, que permite ao indivíduo retomar o controle sobre sua alimentação e sobre o próprio tempo.
Preferência por comer em casa
O movimento ganhou força com a pandemia de Covid-19, que reacendeu o interesse pela culinária doméstica, somada ao aumento do custo de vida e à valorização de práticas sustentáveis. Nas redes sociais, o preparo de receitas simples e criativas transformou a cozinha em um espaço de convivência, expressão e bem-estar.
A tendência do home cooking também se expandiu globalmente. Em países como Estados Unidos, França e Japão, cresce a “culinária doméstica criativa”, impulsionada por plataformas digitais que democratizam técnicas antes restritas a chefs. Jovens de diferentes perfis veem o ato de cozinhar como um gesto de autocuidado e afirmação cultural.
Impactos
Além de estimular a autonomia alimentar, cozinhar em casa está diretamente ligado a ganhos para a saúde e o bem-estar. Estudos da Universidade de São Paulo (USP) apontam que o hábito reduz o consumo de ultraprocessados e contribui para uma alimentação mais equilibrada.
O impacto do movimento vai além da rotina doméstica: o setor gastronômico também se adapta, com restaurantes e marcas desenvolvendo produtos que permitem ao consumidor recriar experiências culinárias na própria casa. Essa mudança reflete um novo padrão de consumo, em que o ato de cozinhar representa prazer, criatividade e, ao mesmo tempo, uma forma de desacelerar diante da correria cotidiana, valorizando o essencial — o alimento, o tempo e o convívio.






