O presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, afirmou recentemente que parte das assinaturas usadas para autorizar empréstimos consignados não reconhecidos pelos beneficiários foi produzida por robôs.
A declaração reforça a gravidade das fraudes que atingiram aposentados e pensionistas em todo o país e mostra que o órgão tem concentrado esforços para reconstruir o caminho das irregularidades, identificar seus autores e responsabilizar quem lucrava com o esquema.
Presidente do INSS diz que assinaturas falsas foram feitas por robôs
Segundo Waller, a equipe técnica do instituto passou a revisar de forma sistemática as respostas enviadas pelas instituições financeiras durante o processo de contestação de descontos.
Essa etapa é obrigatória para que o segurado seja ressarcido e, ao mesmo tempo, oferece ao INSS acesso direto ao material usado pelos bancos para justificar a cobrança. Foi nessa análise que surgiram indícios de que assinaturas digitais eram fabricadas de maneira automática.
De acordo com o presidente, os padrões repetidos e a ausência de características humanas nessas supostas autorizações levaram os auditores a concluir que sistemas automatizados estavam sendo usados para validar contratos inexistentes.
A investigação também encontrou documentos produzidos de forma artificial e gravações forjadas que tentavam simular o consentimento do aposentado. O conjunto dessas descobertas ampliou o entendimento sobre a mecânica da fraude.
Entender como a fraude funcionava ajudará INSS na identificação e responsabilização de envolvidos
As operações começavam com a criação de entidades fictícias interessadas em gerar descontos em folha ou autorizações falsas para empréstimos.
Programadores, segundo o INSS, desenvolviam ferramentas capazes de produzir assinaturas e registros eletrônicos que davam aparência de legitimidade aos contratos.
Em alguns casos, intermediários atuavam por telefone para pressionar ou confundir o beneficiário, enquanto o sistema já colocava em andamento a documentação fraudulenta.
Para o INSS, identificar o uso desses robôs é decisivo porque permite rastrear quem operava as ferramentas e como os contratos eram aprovados dentro das instituições financeiras.
As informações vão orientar processos de cobrança de danos, ações penais e a recuperação de valores subtraídos de quem depende do benefício para viver.
CPMI das fraudes no INSS poderá convocar CEOs de bancos para explicações
Enquanto o órgão avança na auditoria, o Congresso se prepara para ampliar o alcance das investigações.
A CPMI que acompanha o caso deve votar nesta semana a convocação de executivos de grandes bancos e também de instituições menores que viram seus números crescer de forma acelerada no mercado de consignados.
Parlamentares querem que os dirigentes expliquem como funcionavam seus controles internos, por que houve explosão no volume de contratos e que medidas adotaram para impedir operações registradas sem a permissão do titular.
O objetivo é esclarecer o fluxo do dinheiro, apurar responsabilidades e entender como um sistema criado para oferecer crédito com segurança passou a servir de porta de entrada para fraudes em larga escala.






