Uma equipe da Universidade de Tel Aviv desenvolveu uma terapia gênica inovadora que protege simultaneamente a audição e o equilíbrio em casos de alterações no ouvido interno. Os experimentos em modelos animais demonstraram resultados promissores, sugerindo que a técnica pode abrir caminho para tratamentos futuros contra a perda auditiva de origem genética.
O estudo, que foi destacado na capa da revista EMBO Molecular Medicine, envolveu colaboração internacional, incluindo pesquisadores do Hospital Infantil de Boston e da Harvard Medical School. A coordenação ficou a cargo da professora Karen Avraham, com participação da doutoranda Roni Hahn, garantindo uma abordagem multidisciplinar e abrangente.
Análises genéticas
O estudo contou com financiamento da Fundação Binacional de Ciência EUA-Israel (BSF), do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH/NIDCD) e do Programa de Pesquisas Inovadoras da Fundação de Ciência de Israel. A pesquisa concentrou-se no gene Clic5, fundamental para a manutenção das células ciliadas do ouvido interno, responsáveis tanto pela percepção sonora quanto pelo equilíbrio corporal.
A ausência ou deficiência desse gene provoca degeneração progressiva dessas células, ocasionando inicialmente perda auditiva e, em seguida, comprometimento do sistema vestibular, prejudicando a orientação e a estabilidade do indivíduo.
Restauração da audição
Para contornar essa condição, os cientistas utilizaram uma versão avançada do vírus adenoassociado, conhecida como scAAV (self-complementary adeno-associated virus). Esse vetor genético permite a inserção do material terapêutico de maneira mais rápida e eficiente nas células-alvo, necessitando de doses menores do que as usadas em métodos tradicionais. Nos testes realizados em modelos animais, a abordagem foi capaz de interromper a degeneração das células ciliadas, preservando tanto a função auditiva quanto o equilíbrio.
Os achados indicam que a terapia possui potencial para se tornar um marco na medicina regenerativa, oferecendo novas possibilidades no tratamento de distúrbios genéticos relacionados à surdez e ao sistema vestibular. De acordo com os pesquisadores, a técnica pode servir como referência para o desenvolvimento de futuras terapias gênicas voltadas a diversas mutações que afetam o ouvido interno.






