Tradicionalmente focado na proteção de pessoas e bens materiais, o setor de seguros começa a expandir seu alcance para incluir uma nova categoria de produtos voltados à conservação e restauração de ecossistemas. Essa tendência reflete a crescente percepção de que ambientes naturais saudáveis são fundamentais para reduzir riscos e proteger comunidades e ativos diante de eventos climáticos extremos.
Conhecido internacionalmente como nature-positive insurance, esse modelo incorpora a preservação ambiental diretamente nas apólices, destinando recursos específicos para a manutenção e recuperação de áreas naturais. Recifes de corais, manguezais e florestas, por exemplo, passam a ser tratados como infraestrutura natural, com função de proteger territórios, mitigar impactos e contribuir para a resiliência socioambiental.
Seguro para ecossistemas
No modelo nature-positive, os seguros passam a tratar a natureza não apenas como ativo protegido, mas também como parte central na mitigação de riscos. Ecossistemas saudáveis reduzem impactos financeiros futuros: florestas ajudam a prevenir deslizamentos e enchentes, enquanto recifes e manguezais funcionam como barreiras naturais em áreas costeiras.
Além da proteção direta, o setor segurador pode incentivar práticas sustentáveis, oferecendo condições especiais para tecnologias de baixo impacto, como veículos elétricos e construções resilientes. Seguros para pequenas e médias empresas podem incluir crédito para energia limpa e adaptação climática. Assim, o seguro deixa de ser apenas reparação e assume papel ativo na prevenção e redução de riscos, apoiando a transição para uma economia sustentável.
Modalidade na prática
Embora ainda em fase inicial globalmente, essa modalidade já apresenta exemplos concretos em alguns países. No Caribe e no México, por exemplo, foram implementados seguros paramétricos voltados à proteção de recifes de corais, nos quais o pagamento é acionado automaticamente quando um furacão atinge determinada intensidade, permitindo a restauração rápida dos corais que funcionam como barreiras naturais contra erosão e tempestades. Experiências semelhantes envolvem a restauração de florestas e manguezais, utilizados para proteger bacias hidrográficas e regiões costeiras vulneráveis.
Para nações megadiversas como o Brasil, esse modelo apresenta potencial estratégico significativo. O mercado local pode evoluir não apenas no desenvolvimento de produtos voltados à proteção de áreas de vegetação nativa, mas também na oferta de soluções ligadas à adaptação climática, incluindo seguros vinculados a projetos de reflorestamento, recuperação de biomas e preservação de recursos hídricos essenciais para a agricultura e o abastecimento urbano.





