Um surto inédito e alarmante no setor equestre brasileiro resultou na morte de mais de 200 cavalos após a ingestão de uma ração contaminada. A informação foi confirmada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em comunicado recente.
O episódio, descrito como único em sua natureza e gravidade, está sendo tratado com prioridade pela pasta, dado o impacto direto em criadores, competidores e proprietários de animais de alto valor, incluindo exemplares premiados com valor de mercado superior a milhões de reais.
Ministério revela que mais de 200 cavalos morreram por ração tóxica
As mortes começaram a ser registradas em maio deste ano, quando surgiram os primeiros relatos de cavalos adoecendo de forma repentina após o consumo de uma ração específica.
A origem do problema foi rastreada até a Nutratta Nutrição Animal Ltda, fabricante do alimento suspeito.
De acordo com as investigações laboratoriais conduzidas por órgãos federais, a ração apresentava presença de monocrotalina, uma substância tóxica produzida por plantas do gênero crotalaria, que teria contaminado a matéria-prima utilizada na fabricação.
Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Alagoas foram os estados onde ocorreram os casos registrados.
Em todas as propriedades analisadas, os animais afetados consumiram exclusivamente produtos da mesma empresa, enquanto aqueles que não ingeriram a ração permaneceram saudáveis, mesmo convivendo no mesmo ambiente.
Entre os cavalos mortos está o garanhão da raça mangalarga marchador conhecido como Quantum de Alcatéia, avaliado em cerca de R$ 12 milhões.
Estima-se ainda um prejuízo potencial de R$ 30 milhões em lucros cessantes relacionados à reprodução e premiações ao longo da vida reprodutiva do animal.
Fiscalização foi aprofundada e fabricação ração para cavalos foi suspensa, diz ministério
O Mapa informou que iniciou um processo fiscalizatório contra a empresa, suspendeu a fabricação de produtos voltados a equinos e, posteriormente, estendeu a medida a todas as rações da marca.
Apesar de uma decisão judicial ter permitido a retomada parcial da produção, o ministério recorreu, alegando riscos sanitários ainda não afastados.
Em nota oficial, a Nutratta expressou solidariedade aos criadores atingidos e afirmou estar colaborando integralmente com as investigações.
A empresa ressaltou que adotou medidas preventivas, como a revisão de protocolos e a suspensão de lotes, e defendeu que o posicionamento cauteloso adotado foi motivado por compromisso com a apuração rigorosa dos fatos.
A análise definitiva das amostras coletadas está em andamento.






