Na última sexta feira, 21 de novembro, o prefeito eleito de Nova Iorque, Zohran Mamdani, fez sua primeira visita oficial à Casa Branca para uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Mamdani assume o comando da maior cidade do país em 1º de janeiro de 2026 e, por causa das muitas farpas trocadas durante a campanha municipal, o encontro já chamava atenção antes mesmo de começar.
A curiosidade cresceu ainda mais quando, diante de câmeras e microfones, o futuro prefeito repetiu uma das críticas mais duras que havia feito meses antes ao presidente, chamando Trump de fascista enquanto ele estava ao seu lado.
Mamdani chama Trump de fascista durante evento ao vivo com presidente ao lado
A reunião começou sem acesso da imprensa, o que alimentou especulações sobre o clima entre os dois. Trump havia usado suas redes sociais para anunciar o encontro e já havia se referido ao novo prefeito como socialista e até comunista.
Mamdani, por sua vez, tornou a oposição ao presidente parte central de sua campanha, marcada por discursos inflamados sobre custo de vida, moradia e ameaças do governo federal de cortar recursos caso ele vencesse.
A vitória do prefeito democrata foi vista como um revés político para Trump, que é republicano, o que aumentou a expectativa sobre como os dois se comportariam frente a frente.
Quando os jornalistas finalmente foram chamados ao Salão Oval, a tensão ficou clara. Durante a entrevista, uma repórter perguntou a Mamdani se ele mantinha o que havia dito anteriormente sobre Trump ser um fascista.
“Você está afirmando que considera Trump um fascista?“, disse a repórter.
Antes que o prefeito eleito respondesse, o próprio presidente interveio, olhando para ele e dizendo: “Tudo bem, você pode simplesmente dizer isso. É mais fácil, é mais fácil do que explicar.”.
Visivelmente desconfortável, Mamdani respirou fundo e confirmou com um breve “Sim“. Trump riu, num gesto que apoiadores e críticos encararam como deboche e ausência de preocupação com a crítica.
No dia seguinte, sábado (22), em entrevista à NBC News, o futuro prefeito de Nova Iorque reafirmou seu posicionamento contra Trump e complementou a crítica, mas afirmou que, ainda assim, acredita que podem trabalhar juntos pela cidade.
“Depois que o presidente Trump disse isso, eu respondi: ‘Sim’. Isso é algo que já disse antes e repito hoje.
E acho que o que mais gostei na conversa que tive com o presidente foi que não nos esquivamos dos pontos de discordância, da política que nos trouxe a este momento, e também queríamos nos concentrar em como poderíamos chegar a um acordo sobre a crise de acessibilidade à moradia para os nova-iorquinos.”
Zohran Mamdani, prefeito eleito de Nova Iorque
Mamdani e Trump acenaram para a possibilidade de cooperação, apesar das diferenças
Apesar da cena, ambos tentaram reforçar uma mensagem de cooperação nos minutos seguintes. Trump afirmou que pretende ajudar o novo prefeito a tirar do papel projetos ligados à habitação acessível e segurança pública.
Segundo ele, “quanto melhor ele [Mamdani] se sair, mais feliz eu [Trump] fico” e, ainda que os dois tenham visões diferentes, não haveria espaço para disputas partidárias na gestão dos problemas de Nova Iorque.
Mamdani adotou tom semelhante, dizendo que a conversa ocorreu com base em um respeito mútuo pela cidade e mencionando que discutiram o alto custo de vida que pesa sobre milhões de moradores.
O encontro não apagou as diferenças entre os dois, mas marcou o início de uma relação que, mesmo tensa, será decisiva para o futuro da cidade e para a forma como prefeitura e governo federal irão interagir a partir de 2026.






