O caso que abalou Pocrane, no interior de Minas Gerais, começou como tantos outros golpes afetivos: com atenção, carinho e a promessa de um amor improvável. Um idoso da cidade passou três meses acreditando viver um relacionamento virtual com ninguém menos que Juliana Paes.
Os golpistas, usando fotos manipuladas e mensagens cuidadosamente elaboradas, criaram a sensação de intimidade e confiança que sustenta esse tipo de crime. Para ele, o que parecia impossível virou realidade, e cada conversa reforçava a ideia de que estava prestes a viver um romance secreto com uma celebridade.
Como os golpistas construíram o vínculo emocional
Durante todo o período, os criminosos se passaram pela atriz com habilidade. Enviavam mensagens afetuosas, tratavam o idoso com exclusividade e insistiam que o relacionamento precisava ser discreto devido à fama da “atriz”.
Esse clima de confidencialidade fez o idoso se sentir especial e escolhido. Fotos editadas, áudios falsos e conversas diárias criaram uma atmosfera emocional intensa, que anulava qualquer dúvida racional sobre a autenticidade do perfil.
A manipulação foi tão profunda que, mesmo quando surgiam inconsistências, os criminosos tinham justificativas prontas.
O momento em que o romance virou cobrança
Com o vínculo emocional solidificado, veio o verdadeiro objetivo do golpe, o dinheiro. Os criminosos começaram a alegar dificuldades financeiras momentâneas, dizendo enfrentar problemas com contratos, valores bloqueados e contas urgentes.
Sempre com discurso dramático, pediam “ajuda temporária” para resolver situações que supostamente impediam o tão esperado encontro entre os dois. Em três meses, o idoso realizou transferências via Pix que totalizaram R$ 32 mil, acreditando que estava socorrendo alguém que amava e que logo o reembolsaria.
A descoberta da família e o fim da farsa
A farsa só começou a ruir quando familiares perceberam movimentações bancárias incomuns. Ao questionarem o idoso, foram surpreendidos pela história do namoro com a “Juliana Paes”. Imediatamente entenderam que se tratava de um golpe e buscaram ajuda das autoridades.
A polícia confirmou que o perfil era falso e operado por criminosos. A família registrou boletim de ocorrência e agora tenta identificar os responsáveis, enquanto tenta também ajudar o idoso a lidar com a frustração emocional e financeira deixada pelo crime.
O caso ganhou repercussão após ir ao ar no Balanço Geral, da Record, e se tornou mais um sinal de como golpistas estão cada vez mais especializados em explorar sentimentos, especialmente de pessoas mais velhas e solitárias.
Especialistas reforçam a importância de desconfiar de perfis de celebridades que iniciam conversas privadas, nunca enviar dinheiro a desconhecidos e manter diálogo aberto com familiares sobre contatos virtuais.
Situações como essa mostram que golpes emocionais não surgem apenas de ingenuidade, mas de manipulação psicológica planejada e cruel.






