aOs dados mais recentes do Sistema de Informações de Crédito (SCR) do Banco Central, referentes a abril de 2026, indicam uma leve deterioração na inadimplência do sistema financeiro brasileiro, em meio a uma desaceleração no ritmo de concessão de crédito, sobretudo nas linhas voltadas ao consumo.
O movimento ocorre em um contexto em que a taxa de calote no país tem oscilado entre 4% e 4,3%, com tendência de leve alta ao longo do ano.
De acordo com analistas do setor, esse avanço da inadimplência está associado principalmente a mudanças na estrutura do mercado de crédito.
Calotes nos bancos
Fintechs e bancos digitais (S2)
- Ganham participação no crédito ao consumo.
- Também concentram uma fatia maior da inadimplência.
- Têm maior exposição a clientes de renda mais baixa e perfis de risco mais altos.
- Os maiores impactos aparecem em cartões de crédito e empréstimos pessoais.
Bancos tradicionais (S1)
- Seguem em trajetória diferente, com melhora gradual da qualidade das carteiras.
- Reduziram a exposição a crédito sem garantia.
- Passaram a priorizar operações mais seguras.
- Isso ajudou a conter a inadimplência dentro desse grupo.
Efeito no sistema financeiro
- A expansão das fintechs alterou a média geral do setor.
- O crescimento das concessões veio acompanhado de mais atrasos.
- Isso não significa piora uniforme em todas as instituições.
Inadimplência por faixa de renda
- Os atrasos são maiores entre famílias de menor renda.
- Consumidores de alta renda apresentam índices mais baixos.
- As faixas intermediárias e inferiores registram a piora mais recente.
- O cenário reflete maior sensibilidade a juros altos e ao aperto da renda.
Crédito por tipo de operação
- O crédito para pessoas físicas segue mais pressionado que o corporativo.
- Já o crédito corporativo mostra maior estabilidade.
- Micro e pequenas empresas, além do crédito rural, registraram melhora pontual nos atrasos.
Analistas também alertam que os dados mensais podem sofrer variações influenciadas por fatores técnicos, como sazonalidade e número de dias úteis, o que exige cautela na interpretação de movimentos de curto prazo.






