A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou novo fôlego no Senado e alcançou um marco que nunca havia sido registrado. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a proposta que amplia o período mínimo de descanso semanal e reorganiza a carga horária de milhões de trabalhadores.
O texto ainda precisa ser analisado pelos plenários do Senado e da Câmara, mas a decisão da comissão abre um caminho que por anos ficou travado.
Para sindicatos e categorias que pressionam por mudanças, o avanço representa uma chance concreta de transformar a rotina de quem trabalha seis dias consecutivos e descansa apenas um.
Fim da escala 6×1 tem avanço importante na história dos trabalhadores
A proposta de fim da escala 6×1 altera a lógica atual da jornada ao estabelecer que o limite semanal, após o período de adaptação, ficará próximo das 36 horas e que a rotina passará a ser distribuída em cinco dias de trabalho e dois dias de folga.
A mudança implica o abandono da escala tradicional, usada de maneira intensa em setores como comércio, alimentação, hotelaria e serviços. O novo formato, conhecido como escala 5×2, prevê oito horas diárias de trabalho e dois dias consecutivos de descanso.
A ideia é permitir ao trabalhador um período mais longo de recuperação e convivência familiar, algo que dificilmente ocorre com folgas alternadas ou isoladas ao longo da semana.
Pela proposta, a transição seria feita de forma gradual, começando com a redução da carga semanal para 40 horas no primeiro ano após a sanção da nova lei e avançando ano a ano até atingir as 36 horas, sem que isso provoque perda salarial.
“Uma das maiores transformações sociais e trabalhistas da história”, defende autor da proposta do fim da escala 6×1
O relatório aprovado pela CCJ considera que o escalonamento dá previsibilidade às empresas e reduz o risco de impactos bruscos.
O senador Rogério Carvalho (PT-SE), responsável pelo parecer, argumenta que a adaptação em etapas dá segurança jurídica para quem emprega e protege quem trabalha.
Já senador Paulo Paim (PT-RS), autor da PEC 148/2015, comemorou a aprovação na CCJ e disse que a mudança seria um dos maiores avanços trabalhistas dos últimos anos, já que os trabalhadores e trabalhadoras teriam mais tempo para si, reduzindo até os custos com afastamentos pelo INSS.
“O INSS, em 2024, registrou 472 mil afastamentos por transtornos mentais, muitos ligados ao excesso de trabalho. A redução da jornada melhora a saúde mental e física. Os trabalhadores estarão muito mais preparados para aumentar, inclusive, a produtividade.
Jornadas mais curtas permitem maior equilíbrio entre a vida profissional e pessoal: tempo para a família, para estudo, formação técnica, por exemplo, lazer e cuidados pessoais.
Se o limite fosse de 40 horas, 22,3 milhões de trabalhadores formais seriam beneficiados. Se fosse de 36, o benefício alcançaria muito mais, mas isso é a longo prazo. De imediato, é de 44 para 40.
Seria uma das maiores transformações sociais e trabalhistas da história do país, ampliando o bem-estar, a qualidade de vida e a dignidade“, afirmou o senador.
Governo Lula apoia o fim da escala 6×1 e deve trabalhar pela aprovação em 2026
O governo Lula tem acompanhado as negociações e se mostra favorável ao fim da escala 6×1 e novo modelo 5×2, que considera uma atualização necessária da legislação trabalhista.
Integrantes da equipe econômica e da área social veem a mudança como uma forma de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, tornar o mercado brasileiro mais atraente.
Enquanto o debate avança no Congresso, empresas de diferentes setores já testam a escala 5×2 por iniciativa própria. Relatam aumento na procura por vagas, diminuição do turnover e equipes mais estáveis.
Esses resultados reforçam o argumento de que jornadas mais equilibradas podem gerar ganhos tanto para funcionários quanto para empregadores.
A expectativa pelo fim da escala 6×1 agora recai sobre a votação em plenário, que definirá se a mudança seguirá adiante e poderá, enfim, transformar um antigo desejo trabalhista em política pública nacional.





