No último sábado (07), o Jornal Nacional exibiu uma reportagem que chamou atenção para um movimento que vem ganhando força no mercado de trabalho brasileiro. Empresas que adotaram a escala 5×2 têm registrado resultados positivos, tanto na hora de contratar quanto na rotina dos funcionários.
O tema ganhou relevância porque surge justamente num momento em que a discussão sobre jornadas de trabalho se amplia no país, com grandes hotéis de luxo aderindo ao modelo e o governo federal preparando uma proposta para oficializar a mudança em lei.
Jornal Nacional revela dados impressionantes de empresa que adotou escala 5×2
A escala 5×2, já consolidada em muitos setores ao redor do mundo, funciona de maneira simples: o empregado trabalha cinco dias por semana, geralmente em dias úteis, e descansa dois dias, normalmente nos dias consecutivos do final de semana.
A carga semanal costuma ser distribuída de forma a manter as oito horas diárias, preservando o total de horas trabalhadas, mas reorganizando a folga. O contraste com a escala 6×1, que é a que vigora atualmente no Brasil, é evidente.
No modelo tradicional, ainda predominante em boa parte do comércio e serviços, o funcionário trabalha seis dias e folga um, quase sempre em um rodízio que pode dificultar o descanso, o convívio familiar e a organização da rotina.
Essa diferença, embora pareça pequena no papel, tem afetado diretamente o interesse de candidatos e o desempenho das equipes.
Reportagem do Jornal Nacional mostrou experiencias positivas de empresas que adotaram a escala 5×2
A reportagem do Jornal Nacional mostrou de perto os impactos dessa mudança no comércio popular de São Paulo.
Em regiões como o Brás e o Bom Retiro, que tipicamente enfrentam alta demanda no fim do ano, a dificuldade de preencher vagas tem sido constante. Muitas lojas exibem placas de contratação, mas relatos de entrevista marcada e candidato que não aparece tornaram-se comuns.
Empresários contaram que, mesmo quando o salário e os benefícios interessam, a distância, o transporte e principalmente o modelo de escala acabam pesando contra.
Muitos preferem empregos mais próximos ou atividades autônomas, como freelancing ou trabalho remoto, que permitem maior flexibilidade.
Nesse cenário, negócios que adotaram a escala 5×2 têm observado vantagem competitiva. A matéria destacou o caso de uma empresa de logística que alterou seu regime de folgas e registrou melhora imediata na retenção.
Funcionários relataram que dois dias seguidos de descanso mudam a percepção de qualidade de vida. Um auxiliar de logística entrevistado afirmou que ter tempo livre para a família e para a própria rotina os deixa mais dispostos no trabalho.
A empresa também ajustou benefícios como transporte fretado e incluiu incentivos financeiros por assiduidade e indicação de novos colegas, reforçando a estratégia para atrair mão de obra.
Hotéis de luxo no RJ e SP adotaram escala 5×2
O setor hoteleiro, especialmente o de luxo, também passou a enxergar vantagens nesse caminho. Hotéis como o Copacabana Palace, no Rio, e o Palácio Tangará, em São Paulo, implementaram recentemente a escala 5×2 para a maior parte de suas equipes.
O primeiro tem feito a transição por etapas, reorganizando turnos durante um período de obras internas, o que facilitou a adaptação. O segundo aprovou a mudança após um longo processo de negociação com funcionários e sindicato, que acabou recebendo apoio amplo dos colaboradores.
Além das duas folgas, houve redução da carga semanal e ampliação de benefícios, como auxílio-creche.
Segundo especialistas do setor, a medida responde a um desafio instalado desde a pandemia: a perda de profissionais qualificados e a dificuldade de atrair novos trabalhadores para jornadas longas.
Governo Lula também trabalha para aprovar a escala 5×2
No plano federal, a mudança de clima em relação às jornadas também se reflete em Brasília. Diante do impasse na subcomissão que discute o tema, o governo decidiu formular seu próprio relatório.
A proposta prevê o fim explícito da escala 6×1 e a adoção nacional do 5×2, com limite de 40 horas semanais a partir de 2028. A transição começaria em 2027, com jornada de 42 horas, e seriam proibidas reduções salariais ou acordos individuais que diminuam direitos.
O parecer ainda amplia o descanso semanal para dois dias consecutivos e introduz novas regras para categorias que hoje operam majoritariamente aos fins de semana, como o comércio.
O governo Lula vê a iniciativa como parte de uma agenda de valorização do trabalhador e promete investir politicamente na aprovação do texto, que deve ser debatido nos próximos meses do primeiro semestre de 2026.
Com empresas, hotéis e governo caminhando na mesma direção, o debate sobre a escala 5×2 deixa de ser uma demanda pontual e passa a compor um movimento mais amplo, impulsionado pela pressão por qualidade de vida e pela necessidade de retenção de talentos.
O assunto, agora no centro do noticiário, deve ganhar ainda mais força à medida que 2026 se aproxima e a agenda trabalhista volta ao centro da política nacional.






