Uma das organizações investigadas no esquema conhecido como Farra do INSS funcionava em condições que chamam atenção até mesmo para um órgão de fachada.
Segundo reportagem do portal Metrópoles, a Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura (CBPA) mantinha suas atividades em uma sala de aproximadamente 35 metros quadrados, localizada no Setor Bancário Sul, em Brasília.
A descoberta reforça a dimensão das irregularidades apuradas pela Polícia Federal. No esquema, entidades utilizavam convênios firmados com o INSS para aplicar descontos sem autorização em aposentadorias e pensões, desviando ilegalmente bilhões de reais ao longo dos últimos anos.
Parte desses valores já começou a ser restituída às vítimas, e as ações policiais resultaram em prisões e afastamentos, mas as apurações continuam avançando e trazendo novos elementos à tona.
Entidade da Farra do INSS operava em sala de apenas 35 m²
O fato revelado nesta semana pelo Metrópoles mostra que, apesar da estrutura mínima e da presença diária de apenas uma funcionária por algumas horas, a CBPA movimentou cifras incompatíveis com sua capacidade operacional.
Entre 2023 e 2024, a confederação saltou de poucos filiados para centenas de milhares, alcançando arrecadação superior a R$ 200 milhões.
Documentos analisados pela Controladoria-Geral da União (CGU) indicam que a entidade não tinha condições materiais ou humanas para captar e atender associados espalhados pelo país, como alegava.
Ainda assim, a confederação passou a inserir descontos em folha com velocidade que, segundo cálculos da CGU, exigiria dezenas de funcionários trabalhando em ritmo contínuo.
A investigação aponta que essa expansão improvável pode ter sido sustentada por uma operação de telemarketing dedicada à inclusão massiva de novos “associados”, prática que violaria o acordo firmado com o INSS.
Há indícios de que cobranças foram registradas até mesmo em benefícios de pessoas já falecidas, o que reforçou suspeitas de fraude sistêmica. Em alguns períodos, o volume de registros chegou ao equivalente a quase 18 inclusões por minuto.
Presidente da CBPA foi preso e investigações da Farra do INSS continuam
Além das inconsistências operacionais, o caso revelou vínculos políticos e movimentações financeiras suspeitas envolvendo a direção da confederação.
O presidente da CBPA, Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, teve prisão decretada após prestar depoimento considerado contraditório pela CPMI do INSS.
As apurações também miram o ex-diretor do instituto, André Fidelis, e o lobista conhecido como Careca do INSS, citados como possíveis beneficiários do esquema.
As investigações continuam em andamento e devem ampliar o entendimento sobre como uma entidade instalada em uma sala de 35 m² conseguiu movimentar um dos maiores escândalos recentes da previdência brasileira.





