Um levantamento divulgado nesta semana pelo Todos Pela Educação aponta que o Brasil enfrenta um grave desequilíbrio no acesso à educação infantil nas creches em todo o país.
Embora a oferta de vagas tenha aumentado nos últimos anos, crianças de famílias de baixa renda continuam em desvantagem quando o assunto é ingresso em creches. A disparidade entre os mais pobres e os mais ricos não apenas persiste como se agravou.
Estudo revela que acesso à creche é desigual entre pobres e ricos
Os dados, obtidos a partir de informações da Pnad Contínua e do Censo Escolar, mostram que, em 2024, apenas 41,2% das crianças de até 3 anos estavam matriculadas em creches.
O percentual representa avanço em relação a 2016, quando o índice era de 31,8%, mas ainda fica abaixo da meta de 50% fixada pelo Plano Nacional de Educação para o ano passado.
Mais preocupante é que a diferença entre o atendimento aos 20% mais pobres e aos 20% mais ricos saltou de 22 para 29,4 pontos percentuais no período analisado.
Na prática, isso significa que, enquanto seis em cada dez crianças de famílias de alta renda conseguem uma vaga, pouco mais de três em cada dez vindas de lares com menos recursos têm o mesmo acesso.
Entre os bebês de até um ano, o cenário é ainda mais restritivo: só 18,6% estão em creches, e quase um quarto fica de fora por barreiras como falta de vagas ou unidades distantes.
Essa exclusão impacta diretamente o desenvolvimento infantil, já que a creche oferece estímulos essenciais para a aprendizagem e socialização, além de possibilitar que pais e mães permaneçam no mercado de trabalho.
Desigualdades no acesso à creche também se refletem no mapa do país
As desigualdades também se refletem no mapa do país. São Paulo lidera com a maior taxa de atendimento em creches, atingindo 56,8% das crianças nessa faixa etária. No extremo oposto, o Amapá registra apenas 9,7%.
No caso da pré-escola, etapa obrigatória para crianças de 4 e 5 anos, o Piauí é o único estado a alcançar a universalização, enquanto o Amapá tem o menor índice, com 69,8% de cobertura.
Norte e Nordeste concentram os piores indicadores, revelando que a desigualdade é tanto econômica quanto regional.
Especialistas alertam que superar esse cenário exige mais do que ampliar o número de vagas. É necessário investir em políticas estruturantes que garantam expansão com qualidade e equidade, priorizando áreas mais carentes.
Sem isso, milhões de crianças continuarão sem acesso a um direito fundamental e terão suas oportunidades de desenvolvimento limitadas desde os primeiros anos de vida.






