Aparelhos conhecidos como TV box, populares por oferecerem acesso à internet e, muitas vezes, a canais de TV de forma ilegal, representam um risco muito maior do que apenas a violação de direitos autorais.
De acordo com um estudo recente divulgado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), alguns desses dispositivos não homologados podem ser utilizados para espionagem digital, inclusive quando estão desligados.
A pesquisa revelou que modelos como InXPlus e TouroBox vêm sendo explorados por criminosos para o roubo de dados sensíveis de usuários.
TV box pirata pode roubar dados mesmo desligada
Segundo a Anatel, o funcionamento desses equipamentos piratas vai além do que aparenta. Por trás da interface simples de acesso a vídeos e aplicativos do TV box, softwares maliciosos, conhecidos como malwares, operam silenciosamente.
Esses códigos maliciosos conseguem permanecer ativos no sistema mesmo após o desligamento ou reinício do aparelho. O nome da ameaça é BadBox 2.0, um malware que transforma os dispositivos infectados em parte de uma grande rede criminosa.
O perigo se intensifica quando esses aparelhos são conectados à rede doméstica. Uma vez dentro desse ambiente, o malware passa a ter acesso a outros dispositivos conectados, como celulares, computadores e tablets.
Com isso, os criminosos podem capturar dados bancários, senhas, mensagens e outros tipos de informações pessoais sem que o usuário perceba. A atuação ocorre de forma discreta, tornando difícil detectar a invasão.
Em alguns casos, o próprio usuário pode acabar envolvido em investigações policiais por uso indevido de sua conexão sem saber que foi vítima de um ataque.
A Anatel aponta que os malwares podem vir embutidos de fábrica nos aparelhos piratas ou ser instalados posteriormente, quando o usuário baixa aplicativos de fontes desconhecidas.
A ameaça é dinâmica: os criminosos podem atualizar o software remotamente, adicionando novas funções prejudiciais ao longo do tempo.
Melhor forma de evitar riscos é não utilizar TV box pirata, diz Anatel
Para combater esse tipo de crime, a Anatel vem adotando medidas como o bloqueio de endereços IP ligados a redes infectadas e o recolhimento de equipamentos ilegais do mercado.
A agência alerta que a melhor forma de proteção é evitar o uso de dispositivos não homologados. Além dos riscos virtuais, esses aparelhos também podem causar acidentes físicos, por não atenderem a padrões técnicos de segurança.
O crescimento da rede criminosa é preocupante: de janeiro a agosto deste ano, os casos de infecção passaram de 345 mil para 1,8 milhão de conexões comprometidas, mostrando que o problema é grave, contínuo e global.






