Após um desempenho considerado desastroso nas avaliações nacionais das faculdades de medicina, milhares de estudantes recém-formados podem ser impedidos de atender pacientes no Brasil.
O alerta surge depois da divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, que revelou um número elevado de alunos com desempenho abaixo do mínimo esperado.
O caso reacendeu o debate dos últimos anos sobre a criação de um exame obrigatório de proficiência para o exercício da profissão.
Após desastre em avaliações das faculdades de medicina, estudantes podem ser proibidos de atender pacientes
O Enamed é uma prova aplicada pelo Ministério da Educação com o objetivo de medir o nível de conhecimento dos estudantes concluintes de medicina e, ao mesmo tempo, avaliar a qualidade do ensino oferecido pelas faculdades do país.
Na edição de 2025, os dados chamaram a atenção de autoridades e entidades médicas: cerca de 30% dos alunos avaliados foram classificados em níveis considerados críticos ou insuficientes, o que indica falhas graves na formação acadêmica desses futuros profissionais.
Diante desse cenário, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) passaram a defender publicamente que estudantes que não alcançarem uma nota mínima no exame não recebam autorização para exercer a medicina.
Na prática, isso significaria barrar o registro profissional nos Conselhos Regionais de Medicina para aqueles que não comprovarem competência técnica adequada, mesmo que tenham concluído o curso superior.
Recém-formados em medicina sem preparo adequado oferecem riscos, diz CFM
As entidades argumentam que permitir a atuação de médicos sem preparo suficiente representa um risco direto à população.
Erros de diagnóstico, condutas inadequadas, prescrição incorreta de medicamentos e falhas em atendimentos de urgência são algumas das consequências possíveis quando profissionais chegam ao mercado sem domínio mínimo dos conhecimentos essenciais.
Para o CFM, o problema vai além dos estudantes e revela um colapso estrutural no ensino médico, especialmente em instituições que receberam avaliações negativas ou apenas medianas do MEC.
O próprio ministério reconheceu que mais de uma centena de faculdades de medicina apresenta nível crítico ou insuficiente em qualidade de ensino, enquanto dezenas operam apenas no limite do aceitável.
Isso reforça a avaliação de que o crescimento acelerado de cursos, sem o devido controle de qualidade, contribuiu para a formação deficiente de parte significativa dos novos médicos.
Na visão das entidades médicas, a adoção de um exame de proficiência não teria caráter punitivo, mas funcionaria como uma barreira de proteção à sociedade.
O objetivo seria garantir que apenas profissionais com formação adequada e competências comprovadas tenham acesso direto ao atendimento da população, preservando a segurança dos pacientes e a credibilidade da medicina no país.





