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Gerenciamento de dívidas: veja como é possível ter débitos e continuar evoluindo sua empresa

Quase toda empresa, em algum momento da sua trajetória, vai possuir algum tipo de dívida. Mas isso não é, necessariamente, algo ruim. Tudo vai depender da maneira como esse recurso foi incorporado ao negócio.

Por Luciano Larcher

07/09/2021 às 14h00 - Atualizada 07/09/2021 às 22h34

Quase toda empresa, em algum momento da sua trajetória, vai possuir algum tipo de dívida. Mas isso não é, necessariamente, algo ruim. Tudo vai depender da maneira como esse recurso foi incorporado ao negócio.

Por exemplo, caso tenha sido captado para gerar valor, melhorar algum produto ou serviço, tornar algum processo interno mais eficiente, esse endividamento passa a ser, na verdade, um investimento.

Quando calculado e planejado, a tendência é que essa dívida resulte em crescimento e desenvolvimento para a empresa. No entanto, muitas vezes não é dessa forma que isso acontece.

O maior erro cometido por alguns gestores na hora de fazer um empréstimo é buscá-lo para cobrir, por exemplo, custos fixos da empresa. Por mais que isto solucione o problema de forma imediata, a médio e longo prazo essa atitude pode comprometer a saúde financeira do negócio, colocando em risco a sua própria sobrevivência.

Por que o gerenciamento de dívidas é tão importante?

Como pontuamos, as dívidas não chegam a representar uma ameaça para as finanças de uma organização. Inclusive, existem muitos casos de empresas que contratam empréstimos para poderem crescer ou se manterem competitivas no mercado.

Mas a linha que separa uma dívida de um investimento é muito tênue, e pode se romper caso o gestor não tome alguns cuidados necessários. O principal deles é não gerenciar as dívidas ou muito menos monitorar esses débitos, e como consequência, eles irão se prolongando ao longo dos meses e se transformando em uma bola de neve, com juros e multas.

É por isso que, antes de contratar um empréstimo ou financiar a compra de um bem, é fundamental realizar uma análise criteriosa da empresa, para evidenciar se esse passo vai contribuir, de forma efetiva, para o desenvolvimento do seu negócio. E, ainda, se a empresa terá condições para arcar com mais essa despesa.

Além disso, também é preciso ter conhecimento dos prazos, analisar as taxas e avaliar o grau de endividamento e o risco da operação.

Neste momento, o auxílio do fluxo de caixa é fundamental. É através dele que se tem conhecimento de todo o comportamento financeiro da sua empresa.

Fluxo de caixa: informações preciosas para o seu negócio

O principal objetivo do fluxo de caixa é identificar como algumas despesas podem trazer impactos para o caixa da empresa. Logo, é fundamental olhar para o capital de giro com mais atenção, pois é ele quem garante a continuidade das operações de uma empresa por longos períodos.

O fluxo de caixa fornece ao empresário informações preciosas, dando a ele subsídios para lidar com diferentes cenários e ter uma tomada de decisão mais assertiva. Quando o gestor conhece bem as entradas e as saídas do caixa da sua empresa, ele consegue planejar melhor suas ações. E, fazendo a projeção dos saldos e dos custos, é mais fácil efetuar compras e evitar cair em armadilhas que podem reduzir ou anular o capital de giro, por exemplo.

Nesse ponto entramos em uma questão muito importante neste processo: evitar saldos negativos. Saber as datas em que a empresa vai receber recursos e liquidar despesas, possibilita ter saldo suficiente para garantir a credibilidade do negócio e manter as contas em dia para não fechar o mês no vermelho.

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Com essas informações em mãos, é possível fazer planejamentos de investimentos e manter a empresa em funcionamento. E, mesmo com financiamentos e débitos, continuar fazendo o negócio crescer.

Informações que precisam estar no fluxo de caixa:

  • Entradas: são as receitas geradas por meio das vendas de produtos e, por exemplo, eventuais empréstimos;
  • Saídas: correspondem às despesas operacionais, tais como tributação, fornecedores, folha de pagamento, aquisição de equipamentos, pagamento de dívidas, entre outras;
  • Fluxo de caixa livre: é o chamado “saldo definitivo”, que surge diariamente ou mensalmente.

Como realizar uma boa gestão de dívidas

O endividamento é uma situação na qual qualquer empresa está sujeita a lidar e que, se estiver fora do controle, será preciso resolver com urgência.

No entanto, a grande questão é: como reduzir ou melhor gerenciar as dívidas da minha empresa? Embora cada dívida corresponda a um caso em particular, existem algumas etapas que são importantes para enfrentá-la e iniciar um caminho de sucesso para a resolução do problema, veja:

  1. Descubra as causas do endividamento

O primeiro passo quando se tem uma dívida é saber quais foram as causas desse endividamento. É preciso questionar se houve falta de planejamento, se a gerência do estoque não foi eficiente, ou avaliar outros fatores que fizeram com que a empresa perdesse dinheiro sem perceber.

Durante esse processo de investigação chega-se a um denominador comum, e o que acontece em muitos desses casos são uma sequência de más decisões e problemas internos. Com essas informações é importante fazer uma auditoria completa de todos os setores da empresa, considerando o histórico dos meses anteriores à dívida.

  1. Estabeleça um plano para reduzir gastos

Quando a conta não fecha, é preciso abrir mão de gastos que não são prioridade para aquele negócio. Em uma empresa, é preciso estruturar um plano de redução de custos em alguns setores da empresa, mas que também não comprometam tanto o seu orçamento.

Mas aqui não falamos de cortes de pessoal não, muito menos nos investimentos. Vale aumentar a eficiência do setor de estoque para diminuir custos por meio da perda de produtos.

E para que essas medidas sejam efetivas, o ideal é baseá-las em dados, afinal, quanto mais informações o gestor tiver a respeito do funcionamento de cada espaço da empresa, maiores serão as chances de encontrar soluções criativas para a redução.

  1. Invista em um software de gestão

Contar com um software de gestão completo pode ser de grande valia em um momento tão delicado. Vale lembrar que softwares de gestão financeira são excelentes ferramentas para integrar dados e informações de todos os setores da empresa.

E além disso, também oferecem acesso facilitado aos dados e outras informações financeiras que podem ajudar a aumentar as vendas e as receitas, dando um fôlego a mais para enfrentar as dívidas e melhor gerenciá-las.

  1. Negocie o pagamento das dívidas

Os juros são verdadeiros vilões do endividamento empresarial. E para se livrar das dívidas, uma alternativa inteligente é renegociar o pagamento delas junto aos credores. A melhor solução é fazer acordos com a empresa, procurando estender o período de parcelamento e prazos de pagamento.

Porém, não se esqueça de avaliar o valor das parcelas com cuidado, para que elas não comprometam muito o orçamento da empresa e você acabe entrando em outro ciclo de endividamento.

É muito importante ter em mente que o saldo negativo da empresa não precisa, e nem deve, se tornar parte da sua rotina. Tendo um bom controle do fluxo de caixa,  e tendo um maior planejamento para a quitação de dívidas, o empresário conseguirá se livrar delas de um jeito muito mais simples e sem comprometer a sua permanência no mercado.

Grupo Larch

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Estratégias, processos, capital humano, tecnologia. Muito mais que uma consultoria empresarial, o Grupo Larch hoje é um parceiro de negócios que contribui para que empresas e seus líderes encarem seus desafios e encontrem os melhores caminhos.

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