O diretor-geral da Visa no Brasil, Rodrigo Cury, reconheceu em entrevista ao programa Capital Insights, da CNN Brasil, que o Pix representa uma concorrência real aos serviços de pagamento oferecidos pela empresa.
Ainda assim, Cury vê na ferramenta criada pelo Banco Central um lado positivo, enxergando uma oportunidade estratégica para o crescimento do ecossistema de pagamentos digitais no país.
Visa admite competição com Pix e aponta benefícios para o setor
Durante a conversa, o executivo da Visa foi direto ao afirmar que o avanço do Pix afeta, sim, o mercado de cartões, especialmente ao oferecer uma alternativa prática e sem taxas para consumidores e comerciantes.
Ele destacou que a popularização da ferramenta tem impacto na escolha do meio de pagamento, tirando parte da fatia que antes pertencia exclusivamente aos cartões de crédito e débito.
Ainda assim, segundo Cury, a democratização do acesso promovida pelo Pix também colabora para aumentar a base de usuários bancarizados e, como consequência, amplia o mercado potencial para os serviços da Visa.
Cury observou que o Brasil tem sido palco de profundas transformações no setor financeiro, e o Pix é parte central desse movimento. Para ele, a inclusão financeira promovida pela ferramenta beneficia todo o setor ao trazer milhões de pessoas para o ambiente digital.
Com mais brasileiros usando meios eletrônicos para movimentar dinheiro, há uma expansão natural da demanda por serviços complementares, incluindo cartões, carteiras digitais e soluções de crédito.
Diretor-geral da Visa no Brasil diz que há diálogo com Banco Central para fortalecer a infraestrutura de pagamentos
O executivo também mencionou que o setor privado pode exercer um papel relevante no desenvolvimento contínuo do Pix. Ele revelou que já existem diálogos iniciais com o Banco Central sobre possíveis parcerias, com base em modelos adotados por outros países, como a Índia.
Lá, segundo Cury, o governo atua em conjunto com empresas privadas para fortalecer a infraestrutura de pagamentos.
Em relação ao futuro, o diretor da Visa acredita que tecnologias emergentes como a inteligência artificial devem transformar a forma como os pagamentos são realizados, reduzindo a importância da interface física na hora da transação.
No entanto, ele ressalta que o cartão físico ainda tem um peso simbólico importante para os consumidores e deve continuar presente por mais tempo.
Ao mesmo tempo em que reconhece o desafio representado pelo Pix, Cury enxerga esse cenário como um estímulo à inovação e à colaboração no setor de pagamentos.
