Um estudo divulgado recentemente acendeu o alerta no setor empresarial brasileiro: a maioria das companhias de médio e grande porte ainda não está pronta para enfrentar as mudanças trazidas pela reforma tributária, cujas primeiras exigências práticas entram em vigor já em janeiro.
A poucos dias do fim do ano, a preocupação é ainda maior porque muitas dessas empresas sequer reservaram recursos em seus orçamentos de 2025 para lidar com a adaptação.
Com o tempo se esgotando, é provável que ocorra uma corrida de última hora em dezembro, com empresas tentando ajustar sistemas e processos para evitar transtornos operacionais.
Reforma tributária avança, mas empresas permanecem despreparadas
A reforma tributária, aprovada no Congresso em 2023 e parcialmente regulamentada neste ano, tem como principal objetivo simplificar o sistema de impostos sobre o consumo no Brasil.
Na prática, ela substitui tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), gerido por estados e municípios.
O novo modelo entrará em vigor de maneira gradual, começando em 2026 com alíquotas testes, e se estenderá até 2033.
No entanto, as obrigações acessórias, como mudanças na emissão e no recebimento de notas fiscais, já começam a valer em menos de dois meses, a partir de 1º de janeiro de 2026, exigindo preparação antecipada das empresas.
A transição exigirá profundas alterações nos processos fiscais e contábeis. Notas fiscais, por exemplo, passarão a conter centenas de novos campos.
Isso afetará tanto a emissão quanto o recebimento e a conferência desses documentos. Empresas que não estiverem prontas poderão enfrentar bloqueios de faturamento, dificuldade para pagar fornecedores e riscos diretos ao fluxo de caixa.
Empresas brasileiras ainda não se prepararam para a reforma tributária
Esses desafios foram detalhados em uma pesquisa conduzida pela empresa de tecnologia V360, especializada em automação de pagamentos e gestão fiscal. O
levantamento ouviu 355 empresas de diversos setores e revelou que 72% delas ainda não estão preparadas para a nova realidade tributária.
Quase um terço sequer iniciou discussões internas sobre os impactos da reforma, enquanto outro grupo só começou levantamentos preliminares. Apenas 28,1% afirmaram já ter um plano estruturado de adequação.
Além disso, a automação dos processos fiscais ainda é limitada. Grande parte das empresas ainda opera com sistemas pouco integrados ou até controles manuais, o que amplia o risco de inconsistências.
A baixa adesão à automação e a falta de planejamento orçamentário indicam um cenário desafiador para o setor empresarial nos próximos meses.
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