A Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta terça-feira (1º de outubro), uma importante mudança na política tributária brasileira: a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês.
A proposta, que ainda precisa passar pelo Senado e receber sanção presidencial, representa uma das maiores reformulações no sistema do IR dos últimos anos.
Diante disso, muitos brasileiros estão tentando entender o que muda e, principalmente, quem continuará pagando o imposto.
Quem vai pagar Imposto de Renda após ampliar faixa de isenção
Atualmente, apenas trabalhadores que recebem até R$ 2.112 mensais estão isentos do IR. Com a proposta aprovada, esse limite quase dobra, alcançando os que ganham até R$ 5 mil por mês em rendimentos brutos.
Com isso, estima-se que cerca de 65% dos atuais contribuintes deixem de recolher o imposto já a partir de 2026, o que significa uma queda expressiva na base de cobrança.
A mudança também prevê um abatimento parcial para rendas entre R$ 5.001 e R$ 7.350, com descontos progressivos. Ou seja, mesmo quem ultrapassa um pouco o novo limite de isenção sentirá um alívio no bolso.
Por outro lado, a classe média que recebe acima desse patamar e não se beneficia do desconto continuará contribuindo. Já os super ricos, pessoas com rendimentos anuais acima de R$ 600 mil, passarão a pagar mais.
Para esse grupo, será implantada uma tributação mínima de 10% sobre os valores que excederem essa faixa, com aplicação gradual.
Mudanças no Imposto de Renda também alteram outros pontos
A medida também inclui uma nova regra de retenção de 10% na fonte sobre lucros e dividendos mensais acima de R$ 50 mil, atingindo uma pequena parcela de contribuintes — cerca de 1% do total, segundo estimativas da Receita Federal.
Além disso, o projeto estabelece compensações para estados e municípios que eventualmente percam receita com a mudança, por meio de repasses trimestrais da União.
O texto ainda obriga o Executivo a apresentar, dentro de um ano, uma proposta para criar uma política permanente de atualização da tabela do IR, a fim de evitar futuras distorções causadas pela inflação.
Caso aprovado pelo Senado e sancionado pelo presidente Lula, o novo modelo entrará em vigor em janeiro de 2026, com impacto direto na declaração de Imposto de Renda a ser feita em 2027. Até lá, o sistema atual continua valendo.
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