Levantamento feito com base na Rais (Relação Anual de Informações Sociais), organizado pelo site Poder360, revela que apenas 2,5% dos trabalhadores brasileiros com carteira assinada recebiam, no fim de 2024, salários superiores a 10 salários mínimos, o equivalente a R$ 15.180 em valores atualizados para 2025.
Ao mesmo tempo, 87% desses profissionais estavam concentrados nas faixas salariais abaixo desse patamar. A imensa maioria, mais precisamente 81,4%, ganhava até cinco salários mínimos, ou R$ 7.590.
Menos de 3% ganham acima de 10 salários mínimos
O recorte mostra uma pirâmide salarial fortemente desigual entre os trabalhadores formais. Com cerca de 45,1 milhões de vínculos CLT ativos registrados no país, pouco mais de 1 milhão de pessoas estão no topo da estrutura remuneratória.
A base, por sua vez, é formada por milhões de brasileiros que recebem salários baixos e têm pouco espaço de progressão no modelo atual. Essa distribuição tem impactos diretos sobre a arrecadação da Previdência Social.
O modelo previdenciário brasileiro é sustentado majoritariamente pela contribuição dos trabalhadores e empregadores sobre a folha de pagamento.
Como existe um teto de contribuição, em 2025, limitado a R$ 951,62 mensais, mesmo os que ganham acima desse valor não contribuem proporcionalmente ao que recebem.
Como resultado, mais de 95% das receitas do INSS vêm de pessoas que ganham menos de 10 salários mínimos.
Em 2024, a Previdência arrecadou R$ 641,2 bilhões, mas as despesas ultrapassaram R$ 938 bilhões, gerando um déficit de quase R$ 300 bilhões.
Ausência de descontos em salários de pejotizados agrava situação do INSS
Nesse cenário de desequilíbrio, a chamada “pejotização” ganha destaque. Trata-se da prática de contratar trabalhadores por meio de CNPJs próprios, em vez de vínculo CLT.
Para as empresas, isso reduz custos com encargos sociais; para os trabalhadores, pode representar menos impostos no curto prazo.
Porém, muitos desses pejotizados deixam de contribuir ao INSS como pessoa física, já que não recebem salários, e sim pagamentos por serviços prestados, agravando ainda mais a crise fiscal da seguridade.
O Supremo Tribunal Federal analisa se esse tipo de vínculo é legal em todas as situações ou se deve ser limitado a profissionais com maior capacidade de negociação, como os que ganham acima de 10 salários mínimos.
A decisão deve traçar um novo marco para as relações trabalhistas e para a sustentabilidade do sistema previdenciário.
O acesso ao conteúdo será liberado imediatamente após o anúncio.
