Um grupo de investimentos dos Emirados Árabes Unidos voltou sua atenção para o mercado financeiro brasileiro e demonstrou interesse em assumir o controle de um grande banco nacional.
O movimento ganhou corpo ontem (17), quando a Fictor Holding Financeira anunciou a intenção de adquirir o Banco Master e injetar um valor imediato de 3 bilhões de reais para tentar reorganizar a instituição.
A negociação parecia avançar, mas eventos decisivos ocorridos hoje (18) mudaram completamente o cenário e afastaram qualquer possibilidade de conclusão da compra.
Investidor do Emirados Árabes Unidos fica interessado em banco gigantesco no Brasil
O banco que despertou o interesse do grupo árabe é o Banco Master, instituição de porte relevante dentro do sistema financeiro, mas que vinha enfrentando forte desgaste.
A Fictor, que atua em diferentes setores e já investe em serviços financeiros, buscava expandir sua presença no país e liderava um consórcio que reunia investidores dos Emirados.
O plano apresentado previa a aquisição total das ações que estavam sob controle de Daniel Vorcaro, atual dono da instituição, e também antecipava uma troca completa na administração, incluindo nova diretoria e novo conselho.
A mudança de nome para Banco Fictor estava nos documentos enviados às autoridades reguladoras.
A proposta pretendia oferecer fôlego para o Master, que já mostrava dificuldade para manter liquidez e vinha apostando em operações consideradas arriscadas, como emissões de CDBs muito acima das taxas médias do mercado e investimentos em empresas fragilizadas.
Mesmo assim, o anúncio de ontem indicava confiança de que o aporte poderia sustentar uma virada. A Fictor se posicionou como um grupo disposto a atuar com governança rígida e comunicação aberta com reguladores.
BC decretou liquidação extrajudicial do Banco Master
Tudo isso ruiu nesta terça feira. Logo pela manhã, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do conglomerado Master e colocou parte das empresas do grupo sob administração especial temporária.
O órgão justificou a medida afirmando que a situação financeira era considerada insustentável e que havia violações graves das regras bancárias.
Com a decretação da liquidação, qualquer transação em andamento perde validade automática, o que encerra de vez a tentativa de compra liderada pela Fictor.
O impacto aumentou quando veio a confirmação da prisão de Daniel Vorcaro em uma operação da Polícia Federal. As investigações apontam suspeitas de emissão de títulos de crédito sem lastro e práticas de gestão que colocaram ainda mais pressão sobre o banco.
Diante disso, a Fictor anunciou que suspendeu a operação e declarou que só tomou conhecimento da liquidação pela imprensa. Em poucas horas, uma negociação que parecia promissora tornou se inviável.
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