Um grupo criminoso foi desarticulado recentemente pela Polícia Federal após aplicar um esquema ousado e sofisticado de roubo de benefícios sociais no Brasil.
Os responsáveis, presos em operação no Rio de Janeiro, se passavam por beneficiários de programas sociais usando disfarces e manipulações digitais, numa tática que, à primeira vista, parece inacreditável, mas funcionou durante anos.
Como criminosos conseguem roubar benefícios sociais dos cidadãos
A investigação revelou um esquema bem estruturado, liderado por Felipe Quaresma Couto, que atuava desde 2020 e contava com a participação direta de funcionários da Caixa Econômica Federal e de casas lotéricas.
A fraude consistia em acessar indevidamente contas digitais criadas para o pagamento de benefícios como Bolsa Família, FGTS e abono salarial por meio do aplicativo Caixa Tem.
Para isso, o grupo usava dados reais de cidadãos de baixa renda, em geral pessoas em situação de vulnerabilidade, mas com novas imagens e cadastros manipulados.
O golpe começava com o aliciamento de funcionários do banco, que permitiam o acesso ao sistema interno e realizavam alterações em dados cadastrais e biométricos.
Com isso, os criminosos conseguiam redefinir senhas, alterar e-mails e números de telefone, e até reiniciar o reconhecimento facial das vítimas. Em muitos casos, imagens falsas ou rostos de pessoas em situação de rua eram utilizados para enganar o sistema de verificação.
Benefícios eram sacados antes das vítimas perceberem
Para garantir a aprovação dos novos cadastros, os golpistas recorriam a uma variedade de disfarces. Usavam toalhas na cabeça, perucas, maquiagens e até pintavam o rosto para simular outras identidades nas selfies exigidas pelo aplicativo.
Em paralelo, investiram em tecnologias de inteligência artificial para gerar milhares de fotos manipuladas, dificultando ainda mais a detecção da fraude.
As vítimas só percebiam o golpe ao tentarem acessar seus próprios benefícios e encontrarem os valores já sacados ou bloqueados.
Para quem depende desses recursos mensalmente, o impacto é devastador: significa ficar semanas ou até meses sem assistência financeira, precisando enfrentar uma burocracia para provar que foram lesadas.
Com o avanço das investigações, dois líderes do grupo foram presos e quatro comparsas seguem foragidos. A Caixa afirma ter colaborado com a apuração e anunciou medidas para reforçar a segurança digital.
A Polícia Federal destaca, no entanto, que enquanto houver corrupção interna, nem os sistemas mais avançados são suficientes para impedir fraudes como essa.
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