O Bradesco iniciou uma ofensiva judicial contra Thiago da Costa Silva, ex-diretor de Integração e Finanças do Grupo Ambipar, no contexto de uma disputa que pode ter desdobramentos significativos para a gestão e as finanças da companhia.
A ação, protocolada na 18ª Vara Cível de São Paulo, busca impedir que o executivo se desfaça de bens pessoais, diante da suspeita de que ele e outros membros da diretoria tenham cometido irregularidades contábeis e contribuído para a deterioração financeira da empresa.
Bradesco aciona ex-executivo da Ambipar em disputa judicial relevante
No processo, o Bradesco argumenta que há indícios de fraude na contabilidade da Ambipar, especialmente na forma como a empresa declarou seu caixa.
Segundo os advogados do banco, a companhia teria inflado artificialmente sua liquidez ao contabilizar como “caixa” valores alocados em um fundo de direitos creditórios, o Fundo Fênix, cuja liquidez e transparência são altamente questionáveis.
O fundo, controlado por empresas ligadas ao próprio grupo, teria sido usado para mascarar a real situação financeira da Ambipar.
A iniciativa jurídica do banco se baseia em um crédito superior a R$ 390 milhões que tem a receber e, segundo o Bradesco, é legítimo acionar judicialmente os administradores quando há indícios de que a personalidade jurídica da empresa foi usada para fins indevidos.
Além de Silva, outros executivos da Ambipar também foram alvo de ações semelhantes movidas pelo banco em diferentes jurisdições. A tentativa, segundo a Ambipar, é de obter decisões favoráveis em pelo menos uma comarca.
A empresa, por sua vez, rebate as acusações e afirma que o Bradesco tenta pressionar sua liderança com acusações sem provas, tachando a narrativa do banco de “fantasiosa”.
Mas por que o Bradesco está preocupado com a Ambipar?
O embate ocorre em meio a uma grave crise enfrentada pela Ambipar, que entrou com pedido de recuperação judicial no Brasil e nos Estados Unidos.
A companhia, referência em gestão ambiental, alega ter sido surpreendida por perdas em contratos de derivativos com o Deutsche Bank, o que resultou na saída de seu então diretor financeiro e em pedidos de antecipação de vencimento por parte de credores.
O temor de um colapso financeiro aumentou com a suspeita de que o caixa da empresa foi esvaziado ou manipulado.
O impacto também foi sentido na bolsa: as ações da Ambipar despencaram quase 97% desde agosto, ficando abaixo de R$ 0,50, e a participação acionária do controlador, Tércio Borlenghi Júnior, foi drasticamente reduzida após execuções judiciais.
A gravidade do caso acende o alerta entre credores e investidores, diante do risco de que a crise da Ambipar ultrapasse o campo empresarial e atinja diretamente seus gestores.
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