Nem só de iniciativa pública vive uma cidade pet-friendly. E nem só de plaquinha bonita na porta das lojas.
Simplificando bem, ser pet-friendly significa acolher com conforto, conveniência, adequação e segurança animais de estimação, tutores e todas as pessoas, com ou sem pet. Há uma boa diferença entre a permissão da presença de animais de estimação e o acolhimento real.
Permissão versus acolhimento
Foi na apuração de uma matéria, poucos anos atrás, que cruzei com um texto da Wimmer Communities, da Wimmer Brothers, empresa do ramo imobiliário estadunidense, diferenciando os conceitos de “pets allowed” – indicando a permissão da presença de pets nos estabelecimentos – e “pet-friendly” – apontando para adequações diversas de acolhimento.
Na argumentação da Wimmer, em linhas gerais, pet-friendly abarca a ideia de espaços que ofereçam as condições para que pets e tutores desfrutem de um dia a dia saudável, prático, seguro e agradável, com locais que viabilizem o cuidado integral dos animais e a convivência harmoniosa com seus tutores e com a comunidade onde vivem.
O artigo fala mais especificamente do funcionamento de condomínios residenciais, mas é fácil transferir a compreensão para a dinâmica do espaço urbano como um todo.
Construindo cidades pet-friendly
O programa Better Cities for Pets (Cidades Melhores para Pets), da gigante Mars, defende que é preciso mobilizar forças em quatro principais frentes para que uma cidade se torne verdadeiramente amiga dos pets: abrigos, lares, parques e empresas. Fundamentados na guarda responsável e no princípio de pets e pessoas saudáveis, esses são os pilares do projeto da multinacional, que é dona de marcas como Pedigree, Royal Canin, Whiskas e desenvolve uma série de atividades voltadas ao bem-estar animal por meio da Mars Petcare.
“Em cidades pet-friendly, tutores sabem como cuidar de seus pets e agir com responsabilidade para com outras pessoas e outros animais”, explica o manual do Better Cities for Pets, que continua: “As pessoas têm acesso aos diversos benefícios do tempo desfrutado com pets, desde companhia para atividades físicas a laços sociais fortalecidos. Manter os pets saudáveis, por sua vez, pode estender e trazer mais qualidade ao tempo vivido com eles”.
O programa acontece a partir da parceria com governos municipais, com a participação da iniciativa privada e o incentivo ao engajamento de abrigos, organizações, ativistas da causa animal e de toda a população. As cidades participantes passam a implementar diferentes ações nos campos de serviços públicos e privados, educação, comunicação, equipamentos urbanos, entre outros. Além de um programa de certificação, são oferecidos aos municípios uma cartilha, uma ferramenta de avaliação e material on-line gratuito.
Cidades brasileiras
Originalmente concentrado nos Estados Unidos, o Better Cities for Pets começa a ganhar atenção em outros países, como no Brasil. São Roque e Mogi Mirim, em São Paulo, aderiram, com agenda que inclui a capacitação de comerciantes e de empreendimentos pet-friendly. Já a capital paulista está nos planos da ampliação do programa anunciada no ano passado.
Uma parceria com a C40 Cities, uma das maiores redes internacionais de prefeituras com foco em ação climática, lista São Paulo entre as primeiras cidades a receberem iniciativas que, segundo a Mars, melhoram áreas verdes para pets, pessoas e o planeta. Com a expansão, mais de $1 milhão do Better Cities for Pets serão destinados ao aprimoramento do acesso a mais áreas verdes e locais pet-friendly, buscando favorecer 10 milhões de pessoas e pets ao redor do mundo até 2030.
“Dar voz a pais de pets no planejamento de nossas cidades para o futuro não vai beneficiar só os nossos animais de estimação. Vai contribuir para comunidades mais saudáveis e um planeta melhor para todos. Porque uma cidade melhor para os pets é uma cidade melhor para todos”, comenta Ikdeep Singh, presidente global da Mars Pet Nutrition. Observação interessante (e fofa!) de que a comunicação global da Mars, em inglês, está usando “pet parents” (“pais de pets”), em vez de “proprietários” ou “tutores”!
O tanto que a população de Juiz de Fora pode ganhar com a adesão do município a um projeto como o Better Cities for Pets! Enquanto vamos idealizando, trazemos seus pilares para nossa realidade, e a pergunta ressoa: como andam os abrigos, lares, parques e empresas locais? Qual seria, hoje, a nota de “pet-friendlynismo” da outrora “Manchester Mineira”? Vale a resenha!
FONTES:
“Pets Allowed vs. Pet-Friendly – There is a Difference”, Wimmer Communities/Wimmer Brothers, em wimmercommunities.com.
“A Playbook for Pet-Friendly Cities”, Mars Petcare/Mars, em bettercitiesforpets.com.



