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70+: esse voto não pode ficar abafado

"Acredito firmemente no potencial de transformação social e político que o eleitorado 70+ pode imprimir no futuro do nosso país"

Por Jose Anisio Pitico

Muitas pessoas chegam aos 70 anos trazendo no rosto as marcas do tempo e, no coração, uma história que nenhuma estatística consegue traduzir. São homens e mulheres que viveram tempos difíceis. Testemunharam conquistas. Criaram filhas e filhos. Sepultaram amigos. Recomeçaram a vida quando tudo parecia impossível. E aprenderam pela própria vida, que o futuro nunca está garantido. E que a história da humanidade não acabou. “Ainda estamos aqui!”

Para o/as cidadão/as 70+, o voto não é obrigatório. Mas jamais deixou de ser importante. Agora mais do que nunca esse voto é imprescindível, pode mudar, com certeza, o resultado das próximas eleições.

Penso que para os 70+, comparecer às urnas no dia 4 de outubro não é apenas cumprir uma obrigação. É fazer uma escolha de participação cidadã. É dizer para a cidade que os anos vividos não tirou de nós o interesse pelo que virá. Afinal, quem ajudou a construir o presente tem todo o direito de participar da construção do amanhã.

É muito justo que seja assim. É certo, é da vida, que o tempo que age em nós, pode diminuir alguns dos nossos passos, mas, não precisa calar a nossa voz. E não podemos deixar que calem a nossa voz. Esse voto dos 70+ não pode ficar no silêncio. Esse eleitorado prateado representa 16 milhões de pessoas no país. São muitos e são fortes, politicamente.

Acredito firmemente no potencial de transformação social e político que esse eleitorado pode imprimir no futuro do nosso país, começando agora daqui a três semanas, com o comparecimento maciço nas urnas. Se eu pudesse dar um conselho a você que tem 70+: não deixe de votar. Vote. Escolha bem os seus candidatos e candidatas. Quais deles e delas falam à sua vida cotidiana? Acompanhe o processo eleitoral.

Você, 70+, precisa ser visto e reconhecido, não como alguém que parou no tempo, alguém que ficou para trás; não: você é um/a cidadão/a que tem muita competência e capacidade para ajudar a iluminar o caminho à frente. É preciso que a gente reaja a essa ideia silenciosa e injusta de que envelhecer é afastar-se das decisões da sociedade, é não fazer política. Pelo contrário. Agora mais do que nunca precisamos fazer política. Discutir o país. Discutir a nossa cidade. Discutir o nosso futuro.

A democracia corre sérios riscos de desmanchar. Vamos construir um país e uma cidade para todas as idades. Envelhecer é continuar pertencendo. Por mais que soprem ventos contrários. É continuar tendo direitos, opiniões, responsabilidades e sonhos. E que ninguém se engane: o voto dos 70+ não é um voto menor, nem é uma voz que deve ser silenciada pelo tempo. A experiência não pode ser aposentada, e nem a cidadania pode ter prazo de validade.

Aos 70, 80, 90 ou mais, cada cidadão e cada cidadã continuam sendo parte viva da democracia. Por isso esse voto não pode ficar abafado. Precisa ser ouvido — e acima de tudo, respeitado. 70+: não deixem de votar!

Jose Anisio Pitico

Jose Anisio Pitico

Assistente social e gerontólogo. De Porciúncula (RJ) para o mundo. Gosta de ler, escrever e conversar com as pessoas. Tem no trabalho social com as pessoas idosas o seu lugar e mantém o canal Longevidades no Youtube (@Longevidades). Contato: (32) 98828-6941

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