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Reciprocidade!

Por Jose Anisio Pitico

10/07/2022 às 07h00 - Atualizada 08/07/2022 às 20h01

Na caminhada pela vida, no dia-a-dia pela sobrevivência, tendo em vista que viver está muito difícil, penso que, quanto mais a gente avança em direção à construção do nosso futuro, mais eu vejo a importância de se reconhecer as pessoas que estão sempre ao nosso lado para nos apoiar, torcer e valorizar. E quando esse comportamento acontece dentro de casa, ir para o mundo não se torna uma missão tão difícil quanto possa parecer, porque às vezes é mesmo: não ter apoio dos familiares torna a decisão de viver mais difícil.

Meus pais me deram a vida. A eles todo o meu amor e minha gratidão. Com o envelhecimento deles, os filhos assumem o papel de cuidadores. Ou deveriam assumir. Sei que não é assim, tão fácil, como escrevi: nessa hora, no momento de cuidar dos nossos pais, os conflitos familiares sentam-se à mesa. Se me permitem dizer, caros leitores e leitoras, meu pai faleceu há 08 anos. Minha mãe, há 04, está em processo de recuperação de sua saúde, demandando cuidados médicos sistemáticos e também cuidados básicos para a gestão de sua rotina, como higiene pessoal, alimentação e medicação em horários regulares, além do apoio para suas transferências dentro de casa _ quarto-banheiro-quarto. Sua autonomia vem caindo vertiginosamente com o aumento de sua dependência para as atividades de vida diária, como essas que trouxe nas linhas acima.

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Lúcida. Alterna episódios inconstantes de consciência em função de seu quadro de saúde com as fortes drogas que toma e apresenta também períodos de revolta e raiva pela não aceitação do que está acontecendo com a sua vida. “Puxa vida, como é duro envelhecer!” Com muita fé pede ajuda ao Alto. Na verdade, mesmo sem querer, no fundo, ela percebe que sua estrada está chegando ao fim. Quando chama pela mãe, pelas irmãs e pelos irmãos e pelo marido _ afetos protetores que se fazem presentes em suas alucinações e delírios de quem traz a dor do câncer. O que fica registrado no seu semblante constituído por um belo rosto claro e de olhos azuis no que se esforça para deixar de ver e pede em prece: o amor de toda família e das amizades plantadas ao longo da vida.

Viver o envelhecimento da minha mãe tem sido triste. Ao mesmo tempo, libertador. Libertador pelo limite que a vida nos coloca diante do nosso fim. E triste porque é o fim. O último capítulo de um autor que amamos muito. E vendo essa situação do nosso relacionamento à beira de uma despedida, por uma outra visão, tenho; temos a oportunidade de entrega total ao amor que nos une. A reciprocidade que temos em vida. E também a percepção de que como é diferente, quando vivemos as situações da vida, como envelhecer, por exemplo, em nós mesmos e com os nossos. Como se diz no popular: Aí o buraco é mais embaixo.

Principalmente por causa dos sentimentos que são mobilizados. Além da tristeza; temos e sentimos ansiedades, incertezas, abandonos, medos, inseguranças. Perdemos, por completo, o sentido mecânico do tempo do relógio. A vida segue seu curso. Como as águas de um rio, ela pede passagem. O conteúdo dessa Coluna está presente (continua) no meu instagram. Vai lá. @piticoanísio. Muito obrigado!

Jose Anisio Pitico

Jose Anisio Pitico

Assistente social e gerontólogo. De Porciúncula (RJ) para o mundo. Gosta de ler, escrever e conversar com as pessoas. Tem no trabalho social com as pessoas idosas o seu lugar. Também é colaborador da Rádio CBN Juiz de Fora com a coluna Melhor Idade. Contato: (32) 98828-6941

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