Tempo de viver!

Por Jose Anisio Pitico

No período de maio de 1986 a outubro de 2020, atuei como servidor público municipal na área da assistência social com uma fração etária da população da cidade, aquela constituída por pessoas idosas, na sua grande maioria, beneficiárias da Previdência Social. Foram 34 anos (mais dois na Prefeitura de Resende/RJ) ininterruptos de entrega profissional na luta por melhores dias para essas pessoas. Eu mesmo envelheci, como diria o poeta. Comecei aos 25 anos de idade nesse campo de trabalho e terminei esse ciclo profissional aos 59 anos. Nesse mês de outubro completo três anos de aposentado do quadro funcional da PJF. É sobre esse meu novo momento de vida que desejo compartilhar com vocês, caros leitores e leitoras: a aposentadoria.

É o momento funcional e de vida que marca em nós a entrada pra valer no envelhecimento. Hoje, aos 62 anos, sou uma pessoa idosa nos parâmetros legais do Estatuto da Pessoa Idosa, lei n° 10.741, que no domingo passado fez 20 anos de existência, pauta da Coluna anterior a essa. Continuo no trabalho com as pessoas idosas. E acredito e desejo continuar por muito tempo. Sem ter planejado intencionalmente esse trabalho, na verdade, ele me pegou.

Sobre a aposentadoria, penso que é necessário que haja pelas instituições empregadoras um programa de preparação de seus servidores/funcionários para esse momento de vida. Parabéns à PJF pela existência do seu pela Secretaria de Administração e Recursos Humanos. Participei dele na condição de aposentando e aposentado, mais recentemente. Um belo programa. E muito necessário. Porque ao longo do exercício do nosso trabalho não somos treinados a sair dele, a deixar de tê-lo. Assim como não nos ensinam a morrer.

Me ocorre agora aquela parte da música, cantada por Caetano, quando ele diz que “você não me ensinou a te perder”. Vale a associação. E aposentar representa, sim, ter algumas perdas. De poder, de grana e de identidade. Vida que segue. Alcanço outras possibilidades de me expressar e elas me fazem muito bem. Estou convencido de que existe vida além do trabalho. Dei a minha contribuição e continuo dando para a sensibilização da cidade no envolvimento e educação para o seu envelhecimento.

Não recebo mais felicitações pelo aniversário. Happy hour, nem pensar: cadê os colegas? É uma nova vida. E para que ela continue tendo sentido e propósito mesmo sem o trabalho rotineiro realizado por anos, é preciso criar outras formas de inserção na comunidade. Um serviço voluntário cai muito bem, entre outras tantas formas de satisfação pessoal na gestão do tempo disponível. Ocupar-se com algo que te dê prazer e satisfação é muito importante para a manutenção da nossa saúde física e mental. Em linhas gerais, aposentamos do serviço, jamais da vida, é o que eu penso e faço. Com a conquista da longevidade, é preciso desde já planejarmos o nosso futuro. O tempo de viver é agora e continua.

Jose Anisio Pitico

Jose Anisio Pitico

Assistente social e gerontólogo. De Porciúncula (RJ) para o mundo. Gosta de ler, escrever e conversar com as pessoas. Tem no trabalho social com as pessoas idosas o seu lugar. Também é colaborador da Rádio CBN Juiz de Fora com a coluna Melhor Idade. Contato: (32) 98828-6941

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