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Aos professores, com carinho!

Por Marcos Araújo

13/02/2020 às 07h15 - Atualizada 12/02/2020 às 17h10

Servidores da rede estadual de ensino de Minas Gerais deflagraram movimento grevista, a partir desta terça-feira (11), um dia depois do início do ano letivo. Em pauta, os educadores reivindicam valorização salarial, pagamento do 13º salário e o cumprimento da Lei Estadual 21.710/2015 e da Lei Federal 11.738/2008, que tratam do piso salarial. Dentro de um contexto totalmente pessimista para a educação mineira, tem que se levar em conta também que, no ano de 2019, ainda houve fechamento de turmas escolares, superlotando as salas de aula que permaneceram e contribuindo para o desemprego dos trabalhadores. Houve fechamento de escolas em tempo integral, não houve reajuste salarial, o pagamento seguiu parcelado e o 13º salário ainda não caiu nas contas de parte dos servidores.

Apesar de todas essas mazelas e a greve ser um direito garantido pela Constituição Federal, uma parte da população, claro que a mais desinformada, volta-se contra os professores e entoa seus mantras prediletos: “Muda o disco, professores! Todo ano a mesma cantiga” ou “Se estão insatisfeitos, deveriam mudar de profissão”. Para quem pensa dessa forma, a lógica é de que não existe surpresa no fato de a profissão professor ser, socialmente, desvalorizada. Por essa razão, quem escolheu ser educador não deveria reclamar. Crueldade é como podemos classificar o sentimento das pessoas que enxergam os professores dessa maneira. Não é justo que a sociedade consinta que se remunere mal, só porque eles gostam de ensinar. O médico também gosta de cuidar, e o policial, de proteger, não é assim? E todos merecem valor e salários dignos.

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Sempre estudei em escolas públicas e, ao longo da minha vida escolar e agora como jornalista, vi os professores daqui e de outros estados esgotarem todas as formas de reivindicação. Abaixo-assinados, passeatas, manifestos e até acampamentos. Há quem diga que nada adianta e que as greves só prejudicam os alunos. Mas, pensar assim, é uma forma de ignorar a história e deixar a qualidade da educação em segundo plano.

É preciso ter em mente que a educação é um direito fundamental que faz bem ao desenvolvimento de um país e também a cada indivíduo. Sua importância ultrapassa a questão de se ter boas oportunidades na vida, um bom emprego ou uma boa renda, que são questões fundamentais, mas também, é por meio dela, que garantimos nosso desenvolvimento social e cultural, pavimentando um caminho que pode nos levar para uma sociedade melhor, mais humana. E, para tanto, é necessário que professores e demais servidores da educação sejam valorizados.

Em entrevista concedida, nesta semana, ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o médico e escritor Drauzio Varella foi absoluto ao afirmar que o “Brasil não vai sair do estágio em que se encontra sem ciência e tecnologia”. Estou totalmente em concordância com ele, ressaltando, de minha parte, a relevância da educação, sem a qual seria impossível a existência da ciência e da tecnologia.

Marcos Araújo

Marcos Araújo

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