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Xodós da quarentena

Por Marcos Araújo

08/10/2020 às 07h10 - Atualizada 07/10/2020 às 17h47

Ao longo desta quarentena, sei de amigos que adotaram diversos hábitos para driblar dias tão iguais. Horas de leituras a fio, maratonas de séries, filmes vistos e revistos. Houve quem se descobriu na cozinha. Alguns viraram especialistas em vinho. E há os que se apaixonaram pelas plantas. Teve gente que comprou mudas e mais mudas, que se espalharam pela casa. Muito verde e flores para vestir suas residências, transformando cômodos em verdadeiros jardins “indoor”. Há quem diga que um lar florido e colorido traz alegria.

Não raro, muitas dessas plantinhas cultivadas durante o isolamento foram parar no Instagram. Elas viraram “xodós” nos desafios em “preto e branco” e “cenas da nossa rotina” durante a quarentena. Para muitos, o isolamento forçado serviu para obrigar a convivência com as plantas, com elas ali ao lado, no vaso, 24 horas por dia. Na falta da rotina fora de casa, cuidar de uma muda e acompanhar o seu crescimento virou passatempo, algo impensável na correria de antes do surgimento do coronavírus.

O surpreendente dessa experiência é que, quem adotou um antúrio, um lírio da paz ou outra espécie ornamental descobriu que ter uma planta em casa também é uma forma de se desconectar da pressão do distanciamento, porque o cuidado com a planta distrai, fazendo o seu cuidador regar, podar, administrar substrato. Atividades que, de alguma maneira, estancam a realidade e servem para aliviar o pensamento em meio a notícias de flexibilização de diversos serviços, mesmo que as ocorrências de mortes pela Covid-19 ainda sejam desfavoráveis, ou de prenúncio de crise econômica que temos pela frente.

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Na minha casa temos dracena, ráfia, trapoeraba, clorofito, agave, buxinho. Elas já estavam lá antes da pandemia e, claro, durante este período, receberam cuidados especiais. Há quem ache que dá muito trabalho, mas tiro uma vez por semana para cuidar de todas e é muito recompensante quando descobrimos uma folha nova nascendo. A sensação que temos é de que a planta está nos dizendo: “Obrigada pelos seus cuidados!”.

Para os especialistas, a arte de cuidar das plantas é boa para minimizar o estresse e reforçar nossa saúde emocional e física. Além disso, tê-las por perto melhora a qualidade do ar, uma vez que são umidificadores naturais de ambientes. Nestes dias de calor, a presença delas é sempre bem-vinda, principalmente, quando pensamos nos incêndios que devastam áreas da Amazônia e do Pantanal. Ter mais verde por perto é cada vez mais necessário. Que esse amor à plantinhas de casa seja também o início de nossa conscientização pela preservação e criação de áreas verdes nos centros urbanos e conservação de nossos biomas.

Novos hábitos foram adquiridos durante o isolamento, e é possível tirar algumas lições deste período, como reforçar essas rotinas incorporadas agora, levando-as para o nosso dia a dia depois da pandemia. Esses passatempos, como cuidar das plantas, nos ajudam a acalmar e a ter a compreensão de que tudo vai passar e pode ser benéfico para toda a vida.

Marcos Araújo

Marcos Araújo

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