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Ele passou anos estudando por que as pessoas dormem mal e descobriu que mudanças simples na rotina podem fazer diferença, incluindo um hábito que muita gente faz antes de deitar

Especialista em sono recomenda criar uma rotina com alarme noturno, desintoxicação digital e redução de luz para restaurar o padrão natural do corpo.


Por Bernardo Teixeira

10/10/2026 às 10h02

Ele passou anos estudando por que as pessoas dormem mal e descobriu que mudanças simples na rotina podem fazer diferença, incluindo um hábito que muita gente faz antes de deitar
Foto: cottonbro studio/Pexels

Matthew Walker dedicou duas décadas a entender por que dormimos e como o descanso afeta praticamente todas as funções do corpo. Professor de neurociência e engenharia biomédica na Universidade do Texas, ele publicou em 2017 um livro de divulgação científica que se tornou best-seller ao aprofundar as respostas para uma pergunta aparentemente simples.

A visão tradicional sobre o sono era simplista: dormimos para aliviar o cansaço, assim como comemos para matar a fome, e a realidade é mais complexa.

A falta de sono afeta o apetite, a pressão arterial, a saúde reprodutiva e a capacidade cognitiva. Homens que dormem 5 horas ou menos por noite apresentam níveis significativamente mais baixos de testosterona, o que acelera o envelhecimento das capacidades reprodutivas.

Um homem dormindo pacificamente em um quarto iluminado pelo sol com luz natural entrando.
Foto: Ron Lach/Pexels

1. Um alarme para avisar a hora de dormir

A recomendação mais prática é programar, uma hora antes de ir para a cama, um despertador de sono, como você já faz para acordar.

Enquanto o momento de despertar costuma ser protegido na rotina. O horário de dormir fica exposto a distrações: mais um e-mail, mais um episódio de série ou mais uma rolagem de rede social. Assim, ele é corroído gradualmente, 10 minutos de cada vez, até praticamente desaparecer.

O processo de adormecer não funciona como um interruptor que se liga de repente. É uma descida semelhante à aproximação de um avião e começa bem antes do pouso, com a redução gradual da velocidade e da altitude.

O alarme inicia essa preparação do corpo, reduzindo a temperatura central e silenciando os sinais de alerta do relógio biológico. Assim, devolve os 60 minutos necessários para desacelerar todas as noites.

Mulher dormindo pacificamente na cama, destacando conforto e serenidade em um ambiente aconchegante.
Foto: Polina ⠀/Pexels

2. Desintoxicação digital todas as noites

Afastar-se das telas antes de dormir é fundamental, mesmo que por apenas 15 ou 30 minutos. A ideia é criar um período de desligamento, mantendo o celular e outros dispositivos fisicamente distantes para reduzir o estado de alerta do cérebro.

Esse intervalo sem estímulos digitais ajuda o organismo a reduzir o ritmo. E a se preparar para o sono, dando continuidade ao processo gradual que começa com o alarme de uma hora antes. Celulares e outras telas mantêm o cérebro em atividade contínua, por isso é importante afastá-los fisicamente.

Close-up de um adolescente usando um smartphone à noite, criando uma atmosfera sombria.
Foto: Boris Hamer/Pexels

3. Elimine a “luz lixo” à noite

Reduzir quase todas as luzes da casa quando o alarme de hora de dormir tocar é essencial. A exposição à luz elétrica noturna engana o cérebro, que recebe o sinal de que ainda é dia e não consegue se preparar para dormir.

Um experimento de sete dias com iluminação ambiental reduzida mostra dois benefícios simultâneos: aumento da sensação de sonolência e uma sensação de tranquilidade, além do estímulo hormonal à liberação de melatonina.

O efeito pode ser observado tanto na melhora durante a intervenção quanto na piora quando os hábitos anteriores são retomados, o que confirma a dupla direção do impacto.

Quarto convidativo com iluminação aconchegante, cama de madeira e decoração rústica.
Foto: Ariel Marcon/Pexels

4. Acorde cedo também nos fins de semana

Manter os mesmos horários de sono e vigília todos os dias da semana, inclusive nos fins de semana, favorece o funcionamento do relógio circadiano de 24 horas do cérebro. Quando uma pessoa dorme até duas horas mais tarde nos fins de semana.

O corpo experimenta uma desregulação equivalente à de uma viagem entre fusos horários, como de Nova York para Los Angeles e vice-versa a cada semana.

Essa irregularidade desregula a biologia circadiana, e manter os mesmos horários para acordar e dormir ancora o ritmo circadiano e melhora a quantidade e a qualidade do sono.

Mulher com os olhos fechados se espreguiçando na cama em casa durante uma manhã tranquila.
Foto: Miriam Alonso/Pexels

5. Deixe o sol bater no seu rosto logo pela manhã

A noite de sono começa 16 horas antes, quando você recebe luz solar ao acordar. Expor-se à luz natural nos 60 minutos após acordar influencia toda a noite de sono, independentemente do tempo passado ao ar livre ou das condições climáticas.

Células especiais da retina detectam a presença ou a ausência de luz. Elas são insensíveis às informações visuais comuns, mas altamente sensíveis à luz solar. Sair de casa ou levar o cachorro para passear, mesmo com guarda-chuva ou casaco de inverno em dias chuvosos ou nublados, ativa esse mecanismo de regulação do ciclo do sono.

Vista de costas de uma mulher tatuada, sem blusa, sentada em frente a uma janela iluminada em ambientes internos.
Foto: Bianca Salgado/Pexels

6. Tome um banho quente antes de dormir

A temperatura corporal segue um ciclo de três etapas: aquecer para conseguir dormir, permanecer fresco para continuar dormindo e aquecer novamente para acordar. Tomar um banho a cerca de 40 graus Celsius por 10 minutos faz o corpo liberar calor ao sair da água, o que facilita o adormecimento.

O banho quente leva o sangue do centro do corpo para a superfície, especialmente para as mãos e os pés, que então irradiam calor para o ambiente. Quando a temperatura corporal central cai após a saída do banho, o cérebro interpreta essa mudança como um sinal de que é hora de repousar.

Esse processo de resfriamento rápido facilita o adormecimento, e por isso, é mais fácil dormir em um quarto frio demais do que em um quarto quente demais.

Close-up de mãos lavando sob um chuveiro, enfatizando limpeza e cuidado.
Foto: Ron Lach/Pexels

7. No mínimo: aqueça as mãos e os pés

Colocar as mãos em água morna antes de deitar oferece os mesmos benefícios do banho quente sem necessidade de imersão completa. Mãos e pés possuem um tipo especial de vasculatura dedicada principalmente à evacuação de calor, razão pela qual animais não têm pelos nesses locais.

Aquecer simplesmente as mãos e os pés, sem tomar um banho completo, oferece os mesmos efeitos fisiológicos do banho, e pode ser combinado com uma temperatura ambiente fria, de cerca de 20 graus Celsius, para otimizar o efeito de resfriamento da temperatura corporal central.