Idosos saudáveis que pararam remédio do colesterol aos 75 não morreram mais em três anos, mas outro problema grave surgiu
Voluntários foram divididos em dois grupos: um que interrompeu o tratamento e outro que o manteve.

A decisão de suspender o uso de estatinas em idosos com 75 anos ou mais, saudáveis e com baixo risco cardiovascular, foi avaliada por um estudo francês publicado na revista Lancet Healthy Longevity. A pesquisa acompanhou 1.160 pacientes com idade média de 80 anos, todos sem histórico de doença cardiovascular e em uso do medicamento há pelo menos um ano para prevenção primária.
Os voluntários foram divididos em dois grupos: um que interrompeu o tratamento e outro que o manteve. Ao longo de três anos, as taxas de mortalidade foram de 7,2% entre os que pararam e 7,9% entre os que continuaram, sem diferença estatística significativa. Eventos como infarto e AVC também não apresentaram variação relevante entre os grupos. A qualidade de vida física e mental se manteve semelhante em ambos.
Níveis de colesterol LDL subiram
No entanto, os níveis de colesterol LDL subiram rapidamente entre os que interromperam o medicamento. Em três meses, a média passou de 115 para 171 mg/dL, uma alta de 50%. No grupo que seguiu com as estatinas, os índices permaneceram estáveis.
O coautor do estudo, Fabrice Bonnet, do Hospital Universitário de Bordeaux, ressaltou que os achados se aplicam a uma população específica: idosos franceses saudáveis e de baixo risco. Ele alertou que os resultados não devem ser generalizados para outros perfis de pacientes.
Estudos anteriores, realizados na Dinamarca e na Itália, associaram a interrupção do uso a um risco cerca de 30% maior de eventos cardiovasculares fatais e não fatais, mas esses levantamentos não consideraram as razões que levaram os pacientes a parar o tratamento.
Decisão sobre a continuidade ou suspensão deve ser individualizada
Diante das evidências, especialistas defendem que a decisão sobre a continuidade ou suspensão das estatinas em idosos deve ser individualizada, levando em conta a saúde geral, a presença de outras doenças e as preferências do paciente.
O uso prolongado do medicamento pode causar efeitos colaterais como dor muscular e pequena elevação da glicose, mas também reduz o risco de infarto e AVC.








