Ouça agora

Ir ao banheiro por mais de três dias seguidos ou ver sangue no papel pode revelar duas doenças que passam anos escondidas

Sinais iniciais são confundidos com intolerâncias alimentares ou quadros passageiros.


Por Clyverton Silva

27/08/2026 às 21h04

Ir ao banheiro por mais de três dias seguidos ou ver sangue no papel pode revelar duas doenças que passam anos escondidas
Image by Barry D from Pixabay

O termo doença inflamatória intestinal reúne duas enfermidades crônicas que afetam o sistema digestivo: a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Ambas provocam inflamação no intestino e se manifestam com sintomas como diarreia persistente, dor abdominal, sangramento nas fezes, perda de peso e cansaço extremo.

O diagnóstico, no entanto, costuma ser tardio — muitas vezes levando meses ou anos — porque os sinais iniciais são confundidos com intolerâncias alimentares ou quadros passageiros.

Mais de 100 mil brasileiros convivem com a DII

Segundo estimativas de associações de pacientes e do Ministério da Saúde, mais de 100 mil brasileiros convivem com a DII. O número real, porém, pode ser maior, já que os registros oficiais contemplam principalmente pacientes em tratamento pelo SUS.

A doença de Crohn corresponde a mais da metade dos casos, de acordo com a Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn. Ela pode surgir em qualquer trecho do tubo digestivo, da boca ao ânus, e atinge toda a espessura da parede intestinal.

As lesões aparecem de forma intercalada com áreas saudáveis, o que caracteriza o padrão salteado. Com o tempo, podem surgir complicações como estreitamentos e fístulas.

Já a retocolite ulcerativa, que representa cerca de 35% dos casos, se restringe ao intestino grosso e a inflamação é contínua.

Os sintomas são parecidos: diarreia frequente, muco ou sangue nas fezes, cólicas e emagrecimento. O alerta deve ser acionado quando a diarreia dura mais de três dias, se repete em ciclos ou vem acompanhada de sangue. Muitas vezes o próprio paciente tenta resolver a situação com restrições alimentares, mas a DII exige investigação médica com exames específicos.

A doença afeta principalmente adultos entre 25 e 54 anos, mas também pode ocorrer em crianças e idosos. A causa ainda é incerta, mas fatores genéticos, ambientais e alterações na flora intestinal estão entre as principais hipóteses.

Tratamento

O tratamento é semelhante para as duas formas. Durante as crises, corticoides podem ser usados por períodos curtos. Na manutenção, anti-inflamatórios, imunossupressores e medicamentos biológicos são as principais ferramentas.