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Cientistas fazem alerta mundial e quase 11 milhões de pessoas podem contrair essa doença ainda em 2026

Projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam quase 11 milhões de novas infecções por sarampo ao longo de 2026, sendo África e Ásia os…


Por Evellyn Nascimento

30/08/2026 às 13h19

Cientistas fazem alerta mundial e quase 11 milhões de pessoas podem contrair essa doença ainda em 2026
Foto: Reprodução/Magnific

Projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam quase 11 milhões de novas infecções por sarampo ao longo de 2026, sendo África e Ásia os continentes mais afetados. Nas Américas e na Europa, o vírus também tem provocado surtos que somam centenas e até milhares de casos.

O número foi divulgado pela epidemiologista Kathryn H. Jacobsen, docente de Estudos da Saúde na Universidade de Richmond, em texto publicado originalmente pelo The Conversation.

Não existe remédio capaz de curar o sarampo, o que torna a vacinação a principal ferramenta para conter a doença. Mas quem não foi imunizado e contrai sarampo corre risco de complicações graves, como surdez, cegueira e morte, especialmente entre pessoas desnutridas ou sem acesso a atendimento médico.

Bangladesh exemplifica a crise atual: registrou mais casos de sarampo do que qualquer outro país em 2026 e teve mais de 900 mortes pela doença. A escassez de vacinas está ligada à instabilidade política após o colapso do governo em 2024, à decisão do governo interino de interromper as compras pelo Unicef em 2025.

E à retomada posterior, num momento em que a Gavi enfrenta cortes de financiamento de países de alta renda desde 2025. Em regiões pobres, a falta de vacinas é o obstáculo, nas nações ricas, a desinformação e questões religiosas alimentam a hesitação, reduzindo voluntariamente a proteção coletiva.

Vacinação insuficiente contra o sarampo em 2026

Para impedir surtos, a cobertura vacinal precisa superar 95% e criar a chamada “imunidade coletiva”, uma barreira que o sarampo, altamente contagioso, não consegue atravessar. Uma aplicação protege a maioria, mas duas doses elevam a eficácia.

Apesar disso, só 80% das crianças pequenas em nações de baixa e média renda recebem a primeira dose, e apenas 70% completam o esquema de duas aplicações.

A pandemia de COVID-19 agravou esse cenário, e nos primeiros meses, o acesso às cadeias de abastecimento e aos postos de vacinação foi reduzido. Ainda assim, a maioria das crianças pequenas em regiões ricas conseguiu recuperar as imunizações perdidas antes da idade escolar.

Nas regiões pobres, porém, milhões foram classificadas como “crianças com zero doses”: nunca receberam nenhuma das vacinas do calendário de seus países.

Taxa de vacinação em nações de alta renda

Na Europa, cerca de 94% das crianças recebem uma dose e aproximadamente 88% completam as duas aplicações. Já nos Estados Unidos, a primeira dose alcança mais de 90% das crianças com até 2 anos de idade, e o esquema com as duas doses chega a mais de 92% entre as crianças em idade pré-escolar.

Muitas comunidades americanas atingem e superam o patamar de 95% — embora alguns distritos escolares fiquem bem abaixo dessa meta.

Apesar desses índices, surtos continuam ocorrendo mesmo em regiões desenvolvidas. A desinformação alimenta a recusa voluntária em vacinar, ligada a crenças religiosas ou a receios sobre segurança. Esses bolsões de baixa cobertura criam aberturas por onde o vírus passa e deixam comunidades inteiras vulneráveis.

A dificuldade de rastrear a verdadeira escala

É quase impossível quantificar a doença em regiões pobres: uma pequena fração dos casos diagnosticados recebe confirmação por exame laboratorial e notificação às autoridades de saúde pública. Profissionais de saúde relatam um número anormalmente alto de pacientes, mas os números reais escapam aos registros oficiais e ocultam a dimensão da crise.

Esse cenário explica por que 2026 marca um ponto crítico. Entre 2000 e 2019, o total de casos anuais havia recuado de 38 milhões para cerca de 10 milhões, mas esse movimento de queda foi revertido a partir da pandemia da COVID-19.

A redução nas taxas de cobertura vacinal, seja por falta de acesso ou recusa informada, é a causa raiz em todos os lugares.

Uma campanha de vacinação em massa no início de 2026 imunizou mais de 1 milhão de crianças em Bangladesh, mas a cobertura permanece muito abaixo dos 95% necessários. 

Impedir a propagação exigirá aumento de financiamento para a Gavi e parcerias internacionais nos países de baixa renda, além de reconstrução de confiança nas vacinas onde elas estão disponíveis mas são rejeitadas por desinformação.