Cientistas criam material capaz de refrescar casas em até 11ºC sem utilizar eletricidade, através da “pele de elefantes”
Ideia partiu da observação de que os elefantes, que não suam como os humanos, sobrevivem ao calor intenso da savana.

Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, desenvolveram uma placa de cimento de baixo custo capaz de resfriar edifícios sem consumo de energia, inspirada na pele dos elefantes africanos. O material, descrito em artigo publicado na revista Advanced Materials, imita a estrutura de rachaduras presentes na derme do animal, que retêm água e permitem sua evaporação gradual, removendo o calor da superfície.
O estudo foi conduzido por Dorit Aviv, professora de arquitetura, e Shu Yang, cientista de materiais, em parceria com Kun-Hao Yu, da Universidade de Syracuse.
A ideia partiu da observação de que os elefantes, que não suam como os humanos, sobrevivem ao calor intenso da savana graças às rugas profundas em sua pele. Quando se borrifam com água, as fissuras mantêm a umidade por mais tempo, prolongando o efeito de resfriamento.
Aplicação do princípio em construções
Aplicando esse princípio aos edifícios, a equipe criou uma superfície de cimento com microfissuras artificiais que direcionam as gotas d’água para canais específicos, maximizando o tempo de contato com o material e a evaporação.
Em testes de laboratório com aquecimento infravermelho e irrigação periódica, a temperatura abaixo das placas permaneceu estável em 32°C. Em comparação, uma superfície de estuque comercial rachado atingiu 42°C, enquanto o estuque liso chegou a 52°C.
O sistema é totalmente passivo, ou seja, não utiliza ventiladores, compressores ou qualquer fonte de energia. Isso o diferencia dos aparelhos de ar condicionado convencionais, que consomem combustíveis fósseis e liberam calor para o ambiente externo. A proposta dos pesquisadores é que o material seja aplicado em fachadas, reduzindo a transferência de calor para o interior dos edifícios.
De acordo com Yang, nos Estados Unidos, os edifícios são responsáveis por cerca de 40% do consumo de energia primária, sendo quase metade destinada a sistemas de climatização. Uma fachada passiva como essa poderia reduzir a temperatura superficial em até 11°C, representando uma alternativa sustentável para enfrentar o aquecimento global.







