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Sarampo: veja 15 dúvidas sobre vacina, sintomas, transmissão e riscos da doença

Especialistas explicam como o vírus se espalha, quem deve se vacinar, quais são as exceções e como agir diante de uma suspeita


Por Léo Marques, Agência Einstein

12/08/2026 às 13h18

O vírus do sarampo voltou a circular em três cidades do estado de São Paulo: na capital, em Guarulhos e em São Bernardo do Campo, com aumento considerável de casos no início de agosto, principalmente entre pacientes sem histórico de vacinação ou com esquema vacinal incompleto. Segundo o Ministério da Saúde, o surto ocorre em uma área de intensa mobilidade populacional e com fluxo internacional de viajantes, favorecendo a introdução esporádica do vírus.

O cenário preocupa porque o sarampo está entre as doenças infecciosas mais transmissíveis, e a baixa cobertura vacinal atual deixa parte da população suscetível. “Embora o Brasil tenha recuperado recentemente a certificação de eliminação do sarampo, isso não significa que o vírus deixou de existir”, explica a infectologista Aline Carralas, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. A certificação significa que não há transmissão sustentada no país, mas casos importados ainda podem ocorrer.

O vírus se espalha pelo ar, por gotículas liberadas ao tossir, espirrar, falar ou respirar, e pode permanecer viável no ambiente por até duas horas após a saída da pessoa contaminada. Além disso, um único indivíduo infectado pode transmitir o sarampo para até 90% das pessoas próximas que não estejam imunes. A transmissão começa em torno de quatro dias antes do aparecimento dos sintomas. Isso permite a disseminação antes mesmo do diagnóstico.

Os primeiros sinais costumam aparecer de uma a duas semanas depois da exposição e incluem febre alta, mal-estar, tosse, coriza e conjuntivite. Depois vêm as manchas avermelhadas, que geralmente começam no rosto e atrás das orelhas e avançam pelo corpo. Diante da suspeita, a orientação é procurar atendimento, usar máscara, evitar contato com outras pessoas e avisar o serviço de saúde antes ou assim que chegar ao local. O diagnóstico rápido ajuda tanto no cuidado do paciente quanto no bloqueio da cadeia de transmissão.

A seguir, confira as respostas para 15 dúvidas comuns sobre a doença e a vacinação.

  1. O sarampo pode ser grave ou matar?

Na maioria das vezes, a doença evolui bem, mas pode provocar pneumonia (principal causa de morte relacionada ao sarampo em crianças pequenas), otite (capaz de provocar perda auditiva permanente) e encefalite (inflamação do cérebro). Há ainda uma complicação rara e muito grave, a panencefalite esclerosante subaguda, que pode ser fatal. Crianças pequenas, gestantes, pessoas com imunidade seriamente comprometida e não vacinados estão entre os grupos de maior risco.

“Os sinais de alerta incluem dificuldade para respirar, febre persistente ou que retorna após um período de melhora, sonolência excessiva, convulsões, alteração do nível de consciência, desidratação importante e incapacidade de ingerir líquidos. Nesses casos, a avaliação médica tem que ser imediata”, afirma Carralas.

  1. Quem precisa se vacinar?

Por causa do cenário atual, o Ministério da Saúde ampliou a recomendação de vacinação a todas as pessoas com idades entre 6 meses e 59 anos nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, independentemente da situação vacinal. Para bebês de 6 a 11 meses, trata-se da dose zero, que não substitui as doses de rotina previstas no calendário vacinal, aos 12 e 15 meses.

A campanha atual difere do calendário de rotina e tem objetivo epidemiológico. “Independe se você já tem duas doses, vai lá e toma mais uma”, reforça o pediatra Alfredo Elias Gilio, coordenador da Clínica de Imunização do Einstein Hospital Israelita.

A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Basta levar um documento de identidade e, se disponível, a caderneta de vacinação. Em outros municípios, conforme orientações do Programa Nacional de Imunizações (PNI), o esquema vacinal varia de acordo com a idade.

  1. A vacina protege por quanto tempo?

Com duas doses aplicadas a partir de 1 ano de idade, a proteção é considerada duradoura. Na prática, segundo Gilio, ela se estende por toda a vida. A vacina contra o sarampo está entre as mais eficazes, chegando a 98%.

  1. Tenho duas doses registradas, ainda preciso me vacinar?

Sim, no contexto da atual estratégia de intensificação em São Paulo e nos demais municípios incluídos na recomendação. Não significa, porém, que duas doses tenham deixado de proteger. “Do ponto de vista individual, quem tomou duas doses está protegido. A dose adicional busca reduzir a circulação do vírus na população”, pontua o médico do Einstein. Não há problema em receber uma dose extra mesmo para quem já completou o esquema. “Funciona como reforço, não aumenta eventos adversos.”

  1. Quem já teve sarampo precisa se vacinar?

Quem teve a doença confirmada por avaliação médica ou exames laboratoriais costuma desenvolver imunidade duradoura. “Entretanto, muitas pessoas que acreditam ter tido doença na infância não tiveram essa confirmação diagnóstica. Nesses casos, tem que seguir as recomendações vacinais vigentes”, aponta a infectologista do Emílio Ribas. O Ministério da Saúde orienta que a pessoa se vacine, pois a imunidade adquirida naturalmente pode não ser suficiente ou durar a vida toda.

  1. Tive contato com alguém com sarampo, o que faço agora?

É preciso verificar rapidamente se há comprovação de vacinação ou de infecção anterior. Quem não tem essa proteção deve procurar um serviço de saúde. Até 72 horas depois da exposição, a vacina pode ser usada como bloqueio para reduzir o risco de doença. Para alguns grupos, como gestantes, imunossuprimidos e determinados lactentes, pode haver indicação de imunoglobulina em até seis dias.

Após a exposição, a pessoa deve ficar atenta a sintomas como febre, conjuntivite e vermelhidões na pele por até 21 dias, e manter isolamento caso apareçam.

  1. E se eu não tiver a carteirinha ou não souber se fui vacinado?

A orientação oficial é procurar uma UBS. O posto pode tentar localizar seu registro no sistema informatizado ou na ficha de atendimento antigo da unidade onde você se vacinou no passado. Ainda é possível verificar se há registros digitais acessando o aplicativo Meu SUS Digital. Se o histórico não for encontrado, o profissional avaliará sua idade e poderá iniciar ou refazer o esquema de vacinação para garantir sua proteção.

  1. Quem não pode tomar a vacina?

A tríplice viral é feita com vírus vivos atenuados (enfraquecidos). Por isso, é contraindicada para gestantes, crianças menores de 6 meses, pessoas com imunossupressão grave e em caso de reação alérgica a componentes da vacina.

  1. Se uma pessoa já vacinada contrair sarampo, a doença costuma ser diferente?

Tende a ser mais leve. Isso porque a vacinação pode não impedir completamente a infecção em casos excepcionais, mas a resposta imune anterior ajuda a conter a doença. “Você pode ter uma quantidade de anticorpos que não foi o suficiente para proteger totalmente, mas protegeu para uma forma mais branda”, explica Alfredo Gilio.

  1. Gestantes e lactantes podem tomar a vacina?

Gestantes não devem receber a tríplice viral, por ser uma vacina de vírus vivo atenuado, com possível risco para o feto. A vacinação deve ocorrer um mês antes da gravidez ou após o parto. Se a mulher recebeu a vacina sem saber que estava grávida, deve ser acompanhada no pré-natal. Já quem amamenta pode se imunizar quando houver indicação. O aleitamento não impede a vacinação, nem oferece risco ao bebê.

  1. Posso me vacinar se estiver gripado ou resfriado?

Um resfriado leve, com coriza, tosse ou garganta inflamada, não costuma impedir a vacinação. “Mas se houver febre, o ideal é esperar 48 horas após o fim do quadro para se vacinar”, orienta Gilio.

  1. Quais reações adversas a vacina pode causar?

As reações mais comuns são dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação, mal-estar, aumento dos gânglios linfáticos e febre baixa. Algumas pessoas podem ter sintomas catarrais, conjuntivite ou manchas vermelhas na pele. Dependendo da manifestação, pode surgir entre cinco e 21 dias após a aplicação.

O vírus vivo atenuado da vacina estimula o sistema imunológico de maneira muito parecida com a infecção natural, porém sem causar a doença. Em casos raros, pode ocorrer febre alta ou convulsões febris em crianças predispostas. Nessas situações, a recomendação é procurar atendimento médico imediato.

No entanto, em geral, são manifestações leves e passageiras. “Os eventos adversos graves são muito raros e os benefícios da vacinação são muito superiores ao risco, especialmente diante de uma doença que pode causar alterações graves como pneumonia, encefalite e até óbito”, reforça Aline Carralas.

  1. Posso tomar a vacina de sarampo com outras vacinas?

Na maioria dos casos, a tríplice viral pode ser administrada no mesmo dia que outras vacinas, se forem aplicadas em locais diferentes do corpo. Há uma ressalva para a da febre amarela, que pode interferir na resposta imune quando aplicada junto à tríplice viral. Nesse caso, o serviço de saúde deve orientar o intervalo adequado.

  1. Pessoas com imunidade baixa podem tomar a vacina?

Pessoas com imunossupressão importante, como alguns pacientes em quimioterapia, transplantados ou em uso de medicamentos imunossupressores, não devem receber a vacina de vírus vivo. Para esses grupos, a proteção dos demais integrantes da comunidade ganha ainda mais importância. Em caso de exposição ao sarampo, pode haver indicação de imunoglobulina, que fornece anticorpos prontos.

  1. Vou viajar para Europa ou Estados Unidos, preciso me vacinar?

Antes de uma viagem internacional, a recomendação é conferir se a vacinação está atualizada. O Ministério da Saúde orienta que viajantes procurem um serviço de vacinação com documento de identificação e cartão vacinal, se disponível, para verificar a necessidade de atualização. O cuidado é especialmente relevante porque o sarampo ainda circula em diferentes regiões do mundo, inclusive na Europa e Estados Unidos, e viagens podem favorecer a reintrodução do vírus em locais onde a transmissão foi interrompida.