Não basta celebrar o Dia dos Avós com mensagens emocionadas nas redes sociais. Em muitas famílias eles são lembrados apenas em datas comemorativas como essa, quando são lembrados. Ser avô ou ser avó não é apenas uma condição biológica. É um lugar de humanidade. Essa data de hoje nos lembra que é preciso transformar gratidão em compromisso.
Isso significa dizer que a cidade tem que oferecer saúde, mobilidade, cultura, moradia, segurança e oportunidades de participação social para as pessoas idosas. Nunca a humanidade viveu tanto. Estamos construindo definitivamente a revolução da longevidade. Nunca houve tantos avós entre nós. Que beleza!
E, paradoxalmente, nunca eles foram tão invisibilizados. Isso precisa mudar. Porque uma cidade que não escuta os seus avós perde a memória. E um povo sem memória, como sabemos, caminha sem direção. Os avós não representam o passado. Eles ajudam a construir o futuro. São pontes largas entre as gerações. Ensinam que desenvolvimento sem solidariedade produz desigualdade; tecnologia sem humanidade produz isolamento; crescimento econômico sem cuidado produz abandono.
O verdadeiro desenvolvimento de Juiz de Fora não se mede pelo tamanho de sua economia. Mede-se, sobretudo, pela forma como ela trata aqueles e aquelas que lhe ensinaram a caminhar. Não há dúvidas. Precisamos, sim, de mais avós nas creches e nas escolas compartilhando suas experiências.
Precisamos de mais avós nos espaços públicos ocupando a cidade com suas presenças. Precisamos também de mais avós nos conselhos de direitos sociais, influenciando decisões. Precisamos, com certeza, de mais avós participando ativamente da política, porque envelhecer é um ato nobre de cidadania.
Neste domingo, do dia dos avós, a maior homenagem que podemos fazer aos nossos mais velhos é lutar por uma JF onde eles possam (e nós também) envelhecer com direitos, respeito e protagonismo: ser uma cidade amiga da pessoa idosa.
O mundo precisa mais dos seus avós porque precisa compreender que envelhecer não é desaparecer, mas continuar contribuindo. Uma cidade desenvolvida não é aquela que aumenta a sua expectativa de vida, mas aquela que amplia a participação e a dignidade durante todos os anos vividos.
A grande busca do nosso tempo não é saber como viveremos mais anos; mas com quem aprenderemos a vivê-los? O futuro não será apenas mais tecnológico. Será, inevitavelmente, mais velho.
Vivemos o tempo dos algoritmos. Eles conhecem nossos hábitos, mas desconhecem nossos afetos. Sabem o que consumimos, mas não o que sentimos. Organizam informações, mas são incapazes de produzir sabedoria que muitas pessoas idosas produzem, naturalmente.
Ela mora na conversa demorada na varanda terapêutica, por exemplo. No olhar que enxerga o que as palavras escondem. O mundo precisa mais dos seus avós porque precisa permanecer com a sua humanidade.


