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O que salgadinhos e bolachas fazem com o intestino pode surpreender

Estudos analisam a relação entre salgadinhos e bolachas ultraprocessados e a microbiota do intestino, destacando possíveis efeitos no organismo


Por Yasmin Henrique

17/07/2026 às 18h35

O que salgadinhos e bolachas fazem com o intestino pode surpreender
(Foto: reprodução/fabrikasimf/Magnific/edição/Canva AI)

Apesar de serem práticos e populares, alimentos como salgadinhos de pacote, bolachas recheadas, cereais açucarados e refeições congeladas podem trazer impactos à saúde intestinal quando consumidos com frequência. Estudos apontam que esses produtos ultraprocessados podem alterar a microbiota intestinal, formada por microrganismos que atuam na digestão, na proteção do organismo e no controle da inflamação.

No Brasil, o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, recomenda limitar o consumo desses alimentos e priorizar opções in natura ou minimamente processadas. Segundo a classificação NOVA, adotada pelo guia, os ultraprocessados são formulações industriais com diversos ingredientes e aditivos criadas para aumentar sabor, praticidade e conservação.

Salgadinhos e bolachas no intestino

Uma revisão científica publicada na revista Nutrients, com participação de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Aalborg University, na Dinamarca, reuniu evidências sobre os efeitos dos ultraprocessados na microbiota intestinal.

A análise indica que:

  • O consumo frequente de ultraprocessados pode alterar a microbiota intestinal e favorecer um ambiente inflamatório.
  • Estudos associam maior ingestão desses alimentos ao aumento do risco de doença de Crohn. 
  • Esses alimentos podem favorecer a disbiose, desequilíbrio entre bactérias benéficas e inflamatórias, reduzindo a diversidade da microbiota e enfraquecendo a barreira intestinal.
  • A maior permeabilidade do intestino pode estimular processos inflamatórios relacionados a obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e esteatose hepática.

Aditivos e fibras adicionadas:

  • Além do excesso de açúcar, gordura e sódio, pesquisadores investigam efeitos de aditivos como emulsificantes, adoçantes artificiais, corantes, espessantes e estabilizantes sobre a microbiota. Ainda são necessários mais estudos em humanos para confirmar essas relações.
  • Fibras adicionadas em produtos industrializados não têm necessariamente os mesmos benefícios das fibras naturais.

Recomendações

Alimentos naturais oferecem, além de fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos que contribuem para o equilíbrio do intestino. Por isso, a adição de fibras em ultraprocessados não compensa o excesso de açúcar, gordura, sódio e aditivos. 

Especialistas recomendam priorizar frutas, verduras, legumes, feijões, grãos integrais, castanhas e sementes, reduzindo a frequência desses produtos. Uma alimentação rica em fibras favorece bactérias benéficas e a produção de substâncias protetoras para o intestino.