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Colesterol alto nem sempre começa no prato, alertam especialistas

Colesterol alto pode ter origem genética e silenciosa; especialistas alertam que alimentação não é a única causa.


Por Leticia Florenco

17/07/2026 às 10h30

Colesterol alto nem sempre começa no prato, alertam especialistas
Foto: Adobe Stock

Durante muitos anos, o colesterol alto foi associado quase exclusivamente ao consumo de alimentos gordurosos. No entanto, médicos e especialistas em saúde cardiovascular reforçam que essa é apenas parte da história.

Embora a alimentação exerça influência sobre os níveis de gordura no sangue, fatores como genética, doenças metabólicas e o próprio funcionamento do fígado podem ser determinantes para o desenvolvimento do problema.

O alerta ganha importância porque o colesterol elevado permanece entre os principais fatores de risco para infarto e acidente vascular cerebral (AVC), duas das doenças que mais causam mortes no Brasil e no mundo.

Além disso, trata-se de uma condição silenciosa, que normalmente não provoca sintomas até que ocorram complicações graves.

Colesterol é essencial para o organismo

Apesar da fama negativa, o colesterol é uma substância indispensável para o corpo humano.

Produzido principalmente pelo fígado, ele participa da formação das membranas celulares, da produção de hormônios esteroides, da fabricação da bile, responsável pela digestão das gorduras e do transporte de vitaminas lipossolúveis, como A, D, E e K.

Segundo especialistas, o problema não está na existência do colesterol, mas no desequilíbrio entre suas diferentes frações.

Entenda por que existe o colesterol “bom” e o “ruim”

Entre os principais componentes avaliados nos exames estão o LDL e o HDL. O LDL, conhecido como colesterol “ruim”, transporta gordura para diversas partes do organismo.

Quando seus níveis permanecem elevados por longos períodos, essas partículas podem se depositar nas paredes das artérias, favorecendo a formação de placas de gordura.

Esse processo, chamado aterosclerose, reduz o espaço para a circulação do sangue e aumenta significativamente o risco de infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares.

Já o HDL, chamado de colesterol “bom”, exerce o papel contrário. Ele remove parte do excesso de colesterol presente nos tecidos e nas artérias, transportando essa gordura de volta ao fígado para que seja eliminada pelo organismo.

Fatores de risco vão muito além da alimentação

Embora reduzir o consumo de gorduras saturadas seja uma recomendação importante, especialistas destacam que o colesterol alto nem sempre tem origem na dieta.

Grande parte da substância presente no organismo é produzida naturalmente pelo fígado, enquanto apenas uma parcela menor é proveniente da alimentação.

Além disso, diversas condições favorecem o aumento do risco cardiovascular, entre elas:

  • Tabagismo;
  • Diabetes;
  • Hipertensão arterial;
  • Obesidade;
  • Excesso de gordura abdominal;
  • Sedentarismo;
  • Processos inflamatórios crônicos.

Esses fatores podem tornar as paredes dos vasos sanguíneos mais vulneráveis ao acúmulo de gordura, acelerando o desenvolvimento da aterosclerose.

Genética pode explicar casos de colesterol elevado

Os especialistas também chamam atenção para a influência hereditária sobre os níveis de colesterol.

Pessoas com hipercolesterolemia familiar, doença genética que dificulta a remoção do LDL da circulação, podem apresentar colesterol elevado desde a infância, mesmo mantendo hábitos considerados saudáveis.

Nesses casos, mudanças na alimentação, embora importantes, normalmente precisam ser associadas ao acompanhamento médico e ao tratamento medicamentoso para reduzir o risco de complicações cardiovasculares precoces.

Exame simples pode identificar o problema antes dos sintomas

Uma das maiores preocupações dos médicos é que o colesterol alto evolui de forma silenciosa.

Na maioria dos pacientes, não há dor, desconforto ou qualquer sinal perceptível até que ocorra um evento grave, como infarto ou AVC.

Por esse motivo, a realização periódica do lipidograma é considerada fundamental para acompanhar a saúde cardiovascular. O exame avalia:

  • Colesterol total;
  • LDL;
  • HDL;
  • Triglicerídeos.

A interpretação dos resultados deve ser individualizada e considerar fatores como idade, histórico familiar, presença de diabetes, hipertensão, tabagismo e outras condições que aumentam o risco cardiovascular.

Alimentação equilibrada continua sendo uma aliada

Embora não seja a única responsável pelos níveis elevados de colesterol, a alimentação permanece como uma das principais ferramentas para prevenção.

Especialistas recomendam reduzir o consumo de:

  • Carnes processadas;
  • Embutidos;
  • Queijos ricos em gordura;
  • Manteiga;
  • Creme de leite;
  • Frituras;
  • Produtos ultraprocessados.

Ao mesmo tempo, orientam aumentar a ingestão de alimentos associados à saúde cardiovascular, como:

  • Aveia;
  • Grãos integrais;
  • Leguminosas;
  • Sementes;
  • Oleaginosas;
  • Azeite de oliva.

Esse padrão alimentar, semelhante à dieta mediterrânea, fornece fibras e gorduras saudáveis que ajudam no controle do colesterol e da saúde do coração.

Mudanças no estilo de vida reduzem riscos

Além da alimentação, especialistas reforçam que a prevenção depende de um conjunto de hábitos saudáveis.

Praticar atividade física regularmente, controlar o peso corporal, evitar o cigarro, tratar doenças como diabetes e hipertensão e realizar exames periódicos são medidas que reduzem significativamente o risco de complicações cardiovasculares.

Quando essas estratégias não são suficientes, o tratamento com medicamentos pode ser indicado para manter o colesterol dentro das metas estabelecidas para cada paciente.