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Madre Teresa de Calcutá, vencedora do Prêmio Nobel da Paz: “Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz”

Madre Teresa de Calcutá deixou um legado de compaixão, solidariedade e serviço aos mais pobres que inspira o mundo até hoje.


Por Leticia Florenco

06/07/2026 às 14h36

Madre Teresa de Calcutá, vencedora do Prêmio Nobel da Paz: “Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz”

A história de Madre Teresa de Calcutá permanece como uma das mais marcantes quando o assunto é solidariedade e dedicação ao próximo.

Reconhecida internacionalmente pelo trabalho humanitário desenvolvido entre pessoas em situação de extrema pobreza, a religiosa recebeu, em 17 de outubro de 1979, o Prêmio Nobel da Paz, reconhecimento concedido pelo impacto de sua missão em favor dos mais vulneráveis.

Mais do que uma homenagem pessoal, a premiação destacou o alcance de um trabalho iniciado décadas antes e que se expandiu para diversos países por meio das Missionárias da Caridade.

A atuação da congregação transformou a assistência aos pobres, doentes e abandonados em uma referência mundial de serviço humanitário.

A frase que resumiu sua missão

Entre os ensinamentos deixados por Madre Teresa, uma frase continua sendo lembrada por sintetizar sua forma de enxergar o próximo:

“Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.”

A mensagem traduz uma filosofia baseada em gestos cotidianos de acolhimento, respeito e compaixão, valores que marcaram toda a sua trajetória religiosa e social.

De jovem missionária a referência mundial

Nascida como Anjezë Gonxhe Bojaxhiu, em 1910, na cidade de Skopje atualmente localizada na Macedônia do Norte, Madre Teresa decidiu ainda jovem dedicar sua vida à missão religiosa.

Após chegar à Índia, encontrou em Calcutá um cenário de extrema pobreza que mudaria definitivamente seu caminho.

O contato diário com pessoas vivendo nas ruas, sem acesso a alimentação, tratamento médico ou abrigo, levou a religiosa a abandonar a rotina de ensino para dedicar-se integralmente ao atendimento dos mais necessitados.

O início das Missionárias da Caridade

Em 1952, Madre Teresa inaugurou em Calcutá um centro destinado a acolher pessoas abandonadas, especialmente doentes em estado grave e moradores de rua sem qualquer assistência.

A iniciativa deu origem às Missionárias da Caridade, congregação que passou a reunir religiosas comprometidas com um voto adicional aos tradicionais compromissos de pobreza, castidade e obediência: servir gratuitamente aqueles que viviam nas situações mais difíceis.

Com o passar dos anos, a instituição ampliou sua atuação para dezenas de países, desenvolvendo projetos voltados ao atendimento de crianças, idosos, enfermos, pessoas com deficiência e vítimas da exclusão social.

Nobel reconheceu décadas de dedicação

Quando recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 1979, Madre Teresa já era considerada uma das principais lideranças humanitárias do mundo.

O comitê responsável pela premiação destacou seu esforço contínuo na defesa da dignidade humana e no combate ao sofrimento provocado pela pobreza extrema.

O reconhecimento internacional consolidou seu nome como símbolo da solidariedade, embora a religiosa insistisse que sua missão era apenas servir aos mais necessitados.

Trabalho continuou apesar da saúde debilitada

Durante a década de 1990, a saúde de Madre Teresa começou a apresentar sinais de desgaste. Problemas cardíacos e outras complicações levaram o então papa João Paulo II a recomendar que diminuísse o ritmo das atividades.

Mesmo diante das limitações físicas, ela permaneceu acompanhando os trabalhos da congregação e continuou participando das ações de assistência até os últimos anos de vida.

Madre Teresa morreu em 5 de setembro de 1997, aos 87 anos, em Calcutá. Sua despedida reuniu autoridades, líderes religiosos e milhares de pessoas que reconheceram sua contribuição para a promoção da dignidade humana.

Beatificação e canonização consolidaram seu legado

O reconhecimento da Igreja Católica ocorreu poucos anos após sua morte. Em 2003, Madre Teresa foi beatificada por João Paulo II, primeiro passo para sua canonização.

Em 2016, durante o Jubileu da Misericórdia, o papa Francisco declarou oficialmente Santa Teresa de Calcutá.

A decisão ocorreu após o reconhecimento de um segundo milagre atribuído à sua intercessão: a cura do brasileiro Marcílio Haddad Andrino, que enfrentava graves complicações neurológicas.

A cerimônia realizada na Praça São Pedro reuniu cerca de 100 mil fiéis e marcou um dos momentos mais importantes da história recente da Igreja Católica.