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Com produção de mais de 90 mil toneladas de banana, produção de frutas avança na Zona da Mata

Dados do IBGE mostram liderança da banana e expansão de culturas como tangerina, manga, goiaba, laranja e abacate na região


Por Nayara Zanetti

04/07/2026 às 06h23

fruticultura
Banana lidera produção regional (Foto: Divulgação/Epamig)

Em 2024, a Zona da Mata mineira consolidou o processo de diversificação da produção agrícola, com maior participação da fruticultura em diferentes municípios da região. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção regional foi liderada pela banana, com cerca de 93 mil toneladas, seguida por tangerina (52 mil toneladas), manga (19 mil toneladas), goiaba (14 mil toneladas), laranja (13 mil toneladas) e abacate (11 mil toneladas).

A pesquisadora da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Daniela da Hora Farias, afirma que os dados mostram avanço da produção e crescimento consistente da atividade na região.

Entre os municípios que mais se destacam estão Juiz de Fora, na produção de banana; Manhuaçu, com liderança na produção de abacate; e a microrregião de Ubá, que se mantém como principal polo frutícola da Zona da Mata. A área tem forte presença na produção de tangerina, manga, laranja, goiaba e maracujá, especialmente voltada ao abastecimento da indústria de sucos e polpas.

Outro destaque é Visconde do Rio Branco, sede do Arranjo Produtivo Local (APL) da Fruticultura de Minas Gerais. Além do município, o APL é composto por outras 11 cidades da região, que concentram empresas estratégicas do setor, com forte atuação no processamento industrial de frutas.

Crescimento da produção e mudanças na atividade agrícola 

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Nos últimos anos, a fruticultura ganhou espaço na produção agrícola da região (Foto: Divulgação/Epamig)

Segundo a pesquisadora, a fruticultura na Zona da Mata passou por transformações significativas na última década. Tradicionalmente associada à cafeicultura e à pecuária leiteira, a região começou a incorporar com mais intensidade a produção de frutas, impulsionada pela presença de agroindústrias, pela proximidade de grandes mercados consumidores e pelo fortalecimento da pesquisa e da assistência técnica. 

Os dados do IBGE também indicam crescimento da produção nos últimos anos nas quatro culturas avaliadas. Entre 2022 e 2024, a banana passou de 42.786 para 46.322 toneladas, alta de 8,3%. Já a tangerina cresceu de 24.805 para 26.150 toneladas, o que corresponde a avanço de 5,4%. O abacate passou de 5.522 para 6.434 toneladas, aumento de 16,5%. O maior crescimento proporcional foi registrado pelo maracujá, que passou de 2.391 para 2.847 toneladas, alta de 19,1%.

Para a Epamig, os dados reforçam uma tendência de expansão da atividade que está relacionada à busca por maior diversificação produtiva e à adaptação de culturas ao ambiente local, com uso mais intensivo de áreas agrícolas já consolidadas. 

Condições naturais favorecem diversidade de culturas

A especialista destaca que a Zona da Mata reúne condições de solo e clima favoráveis à produção de diferentes frutíferas. O relevo, a disponibilidade hídrica, as variações de altitude e o regime de chuvas influenciam o uso do solo e a escolha das culturas. Além disso, a proximidade de mercados consumidores como Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Vitória também faz com que a região fique mais atrativa. 

Nesse contexto, além das frutas já consolidadas, outras culturas vêm sendo apontadas com potencial de expansão, como citros em geral, goiaba, maracujá, pitaya, além de pequenas frutas como mirtilo, amora-preta, framboesa e morango. A produção de uva de mesa e viníferas também aparece como possibilidade em áreas específicas da região. 

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Pitaya é uma das culturas com potencial de expansão na Zona da Mata (Foto: Arquivo pessoal)

A produção de pitaya tem ganhado força em Belisário, distrito de Muriaé. Os irmãos Waldemar e Átila Costa Neto decidiram apostar, em 2018, nesse mercado e hoje cultivam 1.800 pés de pitaya, com uma produção de 30 a 40 quilos por ano/por pé. Segundo eles, a principal motivação foi o fato de que a pitaya produz na entressafra do café, que é a principal cultura de Belisário, o que facilitaria encontrar mão de obra disponível. Além da localização geográfica do município, próximo aos maiores mercados consumidores de pitaya. 

“Foi muito difícil abrir mercado. Nas primeiras vendas nos mercados e hortifrútis de Muriaé e região, havia muita descrença no potencial de venda e só aceitavam consignado. Foi um trabalho de formiguinha”, relembra Waldemar. 

Pesquisas e inovação na cadeia produtiva

A Epamig tem ampliado suas ações na Zona da Mata com projetos voltados à fruticultura, pós-colheita, agroindustrialização e difusão de tecnologias. Entre as iniciativas em andamento está o estudo sobre o uso de água de efluente da piscicultura (cultivo de peixes em ambientes controlados) na irrigação de bananeiras, avaliando o reaproveitamento de recursos hídricos e seus efeitos no desenvolvimento das plantas. “Os resultados contribuirão para a integração das atividades produtivas nas propriedades rurais, além de promover o uso mais eficiente dos recursos hídricos”, explica Daniela. 

Outro projeto analisa o cultivo de amora-preta na região, com foco na viabilidade econômica, adaptação climática e potencial de mercado, tanto in natura quanto processada. Também estão em desenvolvimento pesquisas com maracujá-amarelo, voltadas à seleção de híbridos mais produtivos e resistentes a doenças, além de atividades de capacitação de produtores. 

Nos próximos anos, a instituição prevê estudos com citros utilizando tecnologias como sensoriamento multiespectral, além da implantação de Unidades Demonstrativas e Vitrines Tecnológicas no Centro de Fruticultura da Zona da Mata, com diferentes culturas e sistemas de manejo. As ações indicam uma ampliação do foco da pesquisa agrícola, com integração entre produção, tecnologia, adaptação climática e fortalecimento da cadeia produtiva regional.