As pessoas mais felizes depois dos 70 anos costumam ter um hábito em comum
Estudos indicam que a felicidade tende a aumentar na velhice e pode estar ligada à mudança de prioridades ao longo da vida

A valorização das experiências simples do dia a dia pode estar entre os principais fatores associados à felicidade na velhice. Em vez de depender de grandes conquistas, mudanças de vida ou projetos ambiciosos, o bem-estar de muitas pessoas acima dos 70 anos parece estar relacionado ao prazer encontrado em atividades cotidianas, como caminhar, cuidar do jardim, tomar um café com amigos ou passar tempo com a família.
Essa percepção é sustentada por pesquisas em psicologia e economia que investigam como a felicidade evolui ao longo da vida. Uma das evidências mais conhecidas é a chamada “curva em U” da felicidade.
Ser mais feliz após os 70
Curva em U da felicidade:
- Estudos publicados no Journal of Population Economics mostram que a satisfação com a vida costuma seguir uma “curva em U”.
- O bem-estar tende a ser alto no início da vida adulta, cai na meia-idade e volta a crescer após os 50 e 60 anos.
- Uma análise com dados de 145 países identificou esse padrão em diferentes contextos culturais e econômicos.
- Outro levantamento apontou que mais de 400 estudos chegaram a conclusões semelhantes, embora alguns pesquisadores defendam que a trajetória da felicidade varia entre indivíduos.
Mudança de prioridades com o envelhecimento:
- Segundo a teoria da seletividade socioemocional, da psicóloga Laura Carstensen, o envelhecimento altera as prioridades.
- Com a percepção de um tempo de vida mais limitado, as pessoas passam a valorizar mais as relações próximas e as experiências emocionalmente significativas.
- Em contrapartida, objetivos distantes e a necessidade de manter várias possibilidades em aberto perdem importância, favorecendo a valorização do presente e dos momentos simples do cotidiano.
Ter um propósito
Isso não significa que o propósito deixe de ser importante. Um estudo publicado na revista científica Psychological Science, que acompanhou adultos durante 14 anos, concluiu que pessoas com maior senso de propósito apresentaram menor risco de mortalidade.
No entanto, esse significado não precisa estar ligado a grandes realizações. Para muitos idosos, ele está presente na rotina, nas relações afetivas e na capacidade de aproveitar um dia comum sem a pressão constante por produtividade ou pela busca de conquistas extraordinárias.








