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Imóvel avaliado em R$ 30 milhões é salvo dias antes de poder cair no oceano

Casa de R$ 30 milhões é demolida nos EUA para evitar que erosão faça imóvel desabar no oceano e cause danos ambientais.


Por Leticia Florenco

06/07/2026 às 18h52

Imóvel avaliado em R$ 30 milhões é salvo dias antes de poder cair no oceano
Reprodução/CAI/NPR

Imóvel de luxo construído à beira de um penhasco em Massachusetts foi removido de forma controlada para evitar danos ambientais à Baía de Cape Cod.

A mansão conhecida como Blasch House, avaliada em cerca de R$ 30 milhões, foi demolida de forma controlada em fevereiro de 2025, poucos dias antes de correr o risco de desabar no oceano devido ao avanço da erosão costeira.

Localizada em Wellfleet, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, a residência estava construída sobre um penhasco que perdeu mais de 15 metros de extensão na última década.

A operação foi realizada após anos de impasses entre proprietários, órgãos ambientais e autoridades locais.

O principal objetivo da demolição era impedir que a estrutura de aproximadamente 474 metros quadrados caísse na Baía de Cape Cod, espalhando toneladas de concreto, madeira, metais e outros materiais potencialmente contaminantes em uma área ambientalmente protegida.

Erosão avançou até atingir a fundação

Construída em 2010 na Chequessett Neck Road, a casa ocupava uma posição privilegiada com vista para o mar.

Com o passar dos anos, porém, a erosão natural do penhasco reduziu gradualmente a faixa de terra entre o imóvel e o oceano, deixando as fundações completamente expostas.

Relatórios técnicos apontavam que, caso nenhuma medida fosse adotada, a residência poderia desabar em até três anos, comprometendo não apenas a estrutura, mas também o delicado ecossistema da Baía de Cape Cod.

Tentativa de conter o avanço do mar foi rejeitada

Os primeiros proprietários da mansão, Mark e Barbara Blasch, tentaram impedir o avanço da erosão em 2018 ao solicitar autorização para construir um paredão de cerca de 73 metros de extensão.

O projeto, no entanto, foi rejeitado pela Comissão de Conservação de Wellfleet e por órgãos federais responsáveis pela proteção do Cape Cod National Seashore.

As autoridades entenderam que a intervenção poderia provocar impactos ambientais e alterar a dinâmica natural da costa.

Os proprietários recorreram da decisão na Justiça estadual, mas não obtiveram sucesso.

Novo proprietário assumiu imóvel já sob risco

Em 2022, a residência foi adquirida pelo empresário John Bonomi por US$ 5,5 milhões, valor equivalente a mais de R$ 30 milhões na cotação atual. A compra foi realizada quando o risco de erosão já era conhecido.

Nos meses seguintes, novas propostas para solucionar o problema foram discutidas, mas nenhuma avançou.

No fim de 2024, a propriedade passou para a empresa CQN Salvage, que inicialmente informou que não pretendia realizar a remoção da estrutura.

A indefinição levou a prefeitura de Wellfleet a exigir um plano para evitar o desabamento. Após negociações, foi firmado um acordo para a realização da demolição controlada.

Operação evitou possível desastre ambiental

A desmontagem da casa começou nas primeiras horas da manhã de fevereiro de 2025.

Equipes especializadas retiraram inicialmente o telhado e o segundo pavimento, reduzindo gradualmente a estrutura até restar apenas a fundação.

A ação evitou que milhares de quilos de entulho fossem lançados ao mar, situação que poderia contaminar as águas da baía e afetar os bancos de ostras, uma das principais atividades econômicas da região.

Estudo apontava avanço acelerado da erosão

Levantamento elaborado em 2024 pelo especialista em processos costeiros Bryan McCormack revelou que o penhasco perdeu mais de 15 metros em apenas dez anos.

Segundo o estudo, a taxa média de erosão variava entre 1,1 e 1,7 metro por ano, tornando inevitável o comprometimento da estrutura.

O caso da Blasch House passou a ser citado como um exemplo dos desafios enfrentados por construções erguidas em áreas costeiras vulneráveis, onde o avanço da erosão e os efeitos das mudanças naturais colocam imóveis de alto valor em risco permanente.