Ouça agora

Nubank entra na reta final para comprar Caixa e obter licença bancária no Brasil

Nubank avança em disputa por banco da Caixa Brasil, ligado à busca de licença bancária e aval regulatório em 2026


Por Yasmin Henrique

02/07/2026 às 21h23

Nubank entra na reta final para comprar Caixa e obter licença bancária no Brasil
(Foto: divulgação/Nubank)

A disputa pela venda do Banco Caixa Geral Brasil, braço da Caixa Geral de Depósitos (CGD), instituição estatal portuguesa, avança para a etapa final com a definição de um grupo reduzido de interessados. 

Nesse cenário, o Nubank se destaca entre os principais concorrentes e aparece como favorito na negociação, embora a conclusão do processo ainda dependa de deliberação do governo português e de autorizações regulatórias no Brasil e em Portugal.

Licença bancária pro Nubank

O principal atrativo do ativo em negociação é a licença bancária plena já concedida à instituição, vista como elemento central na análise dos interessados. Para especialistas do setor, esse fator confere à operação maior peso regulatório do que financeiro, ao permitir acesso imediato ao status de banco no sistema financeiro.

Esse contexto está diretamente ligado ao movimento do Nubank, inserido em um ambiente regulatório mais rigoroso. Com as novas diretrizes do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional, o uso de termos como “banco” ou “bank” passou a ser restrito a instituições com autorização formal, ampliando as exigências para fintechs.

Nesse cenário, o Nubank tem adotado uma estratégia que envolve diferentes possibilidades:

  • avaliação de caminhos para obtenção de licença bancária no Brasil até 2026
  • análise de alternativas regulatórias para adequação às novas regras
  • manutenção de operações atuais sem alterações estruturais

A empresa afirma que não confirma a existência de uma operação específica em andamento e reforça que eventuais movimentações voltadas à licença bancária não afetam seus produtos ou serviços já oferecidos aos clientes.

Quem são os concorrentes?

  • MD Capital: Gestora fundada pelos ex-executivos do Bradesco Mário da Silveira Teixeira Júnior e Dorival Antonio Bianchi. Possui foco em investimentos, reestruturações e operações financeiras. É vista pelo mercado como um comprador natural para administrar a carteira de ativos da CGD Brasil.
  • Garantia Capital: Empresa criada por André Perfeito, Marcelo Bragaglia e Luiz Cesar Fernandes. Luiz Cesar Fernandes foi fundador dos bancos de investimento Banco Garantia e Banco Pactual. Tem atuação voltada a investimentos e finanças estruturadas.

A negociação prevê a venda da instituição por aproximadamente 42 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 250 milhões, valor que também contempla a assunção de parte das obrigações financeiras.  No balanço, a CGD Brasil apresenta ativos estimados entre R$ 1,8 bilhão e R$ 1,9 bilhão, carteira de crédito próxima de R$ 870 milhões e patrimônio líquido em torno de R$ 300 milhões.