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Novo sistema do SUS promete identificar surtos antes que doenças se espalhem

Sistema do SUS detecta surtos respiratórios até 3 semanas antes, com dados da APS e vendas de medicamentos


Por Yasmin Henrique

02/07/2026 às 16h54

Novo sistema do SUS promete identificar surtos antes que doenças se espalhem
(Foto: reprodução/Fernando Frazão/Agência Brasil)

A identificação precoce de surtos pode ganhar um novo aliado no Sistema Único de Saúde (SUS). Um estudo publicado na revista científica npj Digital Public Health, do grupo Nature, mostrou que o Sistema de Antecipação de Surtos com Potencial Pandêmico (ÆSOP), em implementação pelo Ministério da Saúde, conseguiu detectar sinais de novas ondas de doenças respiratórias até três semanas antes do aumento das hospitalizações.

Desenvolvido por pesquisadores da Fiocruz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) e outras instituições, com apoio da Rockefeller Foundation, o sistema analisa dados da Atenção Primária à Saúde (APS) e das vendas de medicamentos isentos de prescrição para identificar sinais precoces de surtos.

Sistema de identificação do SUS

Como o estudo foi realizado:

  • Analisou dados coletados entre novembro de 2022 e junho de 2025.
  • A avaliação envolveu 510 regiões de saúde e 746 episódios de aumento de hospitalizações por doenças respiratórias.

Principais resultados:

  • O ÆSOP antecipou cerca de 60% dos aumentos nas hospitalizações.
  • Dados da Atenção Primária à Saúde (APS) previram 60% dos aumentos.
  • As vendas de medicamentos emitiram alertas entre uma e três semanas antes em 56,6% dos episódios e, em 9,5% dos casos, na mesma semana das internações.
  • As duas fontes de dados atuam de forma complementar.

Diferenciais e benefícios:

  • Identifica surtos quando ainda predominam casos leves.
  • Detecta aumentos de atendimentos e de vendas de medicamentos antes da alta nas hospitalizações.
  • Permite organizar a rede de saúde, ampliar investigações epidemiológicas, preparar leitos e adotar medidas para conter a transmissão.
  • Utiliza o conceito de vigilância sindrômica, baseado no monitoramento de padrões de sintomas antes da confirmação laboratorial.

Limitações:

  • O desempenho varia conforme a qualidade dos registros da APS e a cobertura das farmácias.
  • Em cerca de três quartos do país, ao menos uma das fontes apresentou bom desempenho.
  • O sistema não substitui a vigilância epidemiológica tradicional nem os exames laboratoriais, funcionando como ferramenta de alerta precoce.

Como próximos passos, a equipe pretende integrar informações climáticas, ambientais, socioeconômicas e de mobilidade da população ao sistema. A expectativa é tornar os alertas ainda mais precisos e ampliar a capacidade de resposta do SUS diante de futuras epidemias e pandemias.