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Descoberta sugere que a Grande Pirâmide de Gizé pode ser muito mais antiga do que a história conta

Estudo sugere nova idade para a Grande Pirâmide e reacende debate sobre sua origem no Egito Antigo.


Por Leticia Florenco

02/07/2026 às 10h23

Descoberta sugere que a Grande Pirâmide de Gizé pode ser muito mais antiga do que a história conta
Pirâmide de Gizé - Reprodução/Unsplash/Andrés Dallimonti

Uma nova pesquisa ainda não revisada por pares voltou a colocar em discussão a idade da Grande Pirâmide de Gizé, no Egito.

O estudo sugere que o monumento pode ser significativamente mais antigo do que indica a cronologia tradicional, levantando questionamentos que desafiam décadas de consenso na arqueologia.

Estudo propõe datação muito anterior à aceita pela ciência

O trabalho, desenvolvido pelo engenheiro Alberto Donini, da Universidade de Bolonha, propõe que a construção da pirâmide pode ter ocorrido entre aproximadamente 8.954 a.C. e 36.878 a.C., com uma média estimada em torno de 22.900 a.C.

A hipótese contrasta fortemente com a datação amplamente aceita, que situa a construção por volta de 2.600 a.C., durante o reinado do faraó Quéops.

Segundo o autor, a análise do desgaste das pedras seria a principal base para a reavaliação da idade do monumento.

Erosão das pedras é o centro da hipótese

O estudo utiliza como referência o processo de erosão natural das rochas, causado por vento, areia e variações climáticas ao longo do tempo.

A ideia central é que quanto maior o tempo de exposição das pedras, maior seria o nível de desgaste observado.

Com base nessa relação, o pesquisador comparou blocos expostos diretamente às condições ambientais com outros que teriam permanecido protegidos por areia durante longos períodos.

Essa diferença teria sido usada para estimar o tempo total de exposição da estrutura.

Revestimento original teria sido removido ao longo dos séculos

Um dos pontos considerados relevantes na análise é o fato de que a Grande Pirâmide não se encontra mais em sua forma original.

Quando foi concluída, a estrutura era coberta por blocos de calcário branco polido, que conferiam um aspecto liso e brilhante ao monumento.

Esse revestimento, no entanto, foi removido ao longo dos séculos e reaproveitado em construções no Cairo, deixando exposta a estrutura interna da pirâmide e acelerando o processo de desgaste.

Hipótese sugere civilização mais antiga

Com base nos cálculos apresentados, o estudo levanta a possibilidade de que a pirâmide tenha sido construída por uma civilização anterior à conhecida no Egito Antigo.

Em uma interpretação alternativa, o faraó Quéops teria apenas restaurado ou apropriado a estrutura, sem ser o construtor original.

A proposta, porém, permanece especulativa e não encontra respaldo nas evidências arqueológicas consolidadas.

Comunidade científica mantém posição tradicional

Arqueólogos e egiptólogos reforçam que a cronologia estabelecida é sustentada por múltiplas linhas de evidência, incluindo:

  • Registros históricos da Quarta Dinastia;
  • Análise de cerâmicas encontradas no sítio arqueológico;
  • Vestígios de ferramentas e trabalhadores;
  • Datação por radiocarbono de materiais orgânicos.

Esses dados apontam consistentemente para a construção da pirâmide por volta de 2.600 a.C.

Especialistas alertam para limitações do estudo

Apesar do impacto da hipótese, pesquisadores destacam que o método baseado na erosão das pedras apresenta limitações importantes.

Entre os principais fatores estão:

  • Variações climáticas ao longo de milhares de anos;
  • Períodos em que partes da estrutura estiveram cobertas por areia;
  • Interferência humana recente, incluindo turismo e remoção de blocos.

Essas variáveis dificultam a utilização da erosão como método preciso de datação.

Debate permanece em aberto

O estudo ainda não passou por revisão científica independente, etapa considerada essencial para validação de pesquisas acadêmicas.

Até o momento, a comunidade científica mantém a posição de que a Grande Pirâmide de Gizé foi construída durante o reinado de Quéops, sendo uma das maiores realizações da engenharia do Antigo Egito.

Mesmo assim, a nova proposta reacende o interesse público e acadêmico sobre um dos monumentos mais estudados da história, mostrando que a pirâmide de Gizé continua cercada de mistérios e novas interpretações.