Motoristas ainda vão precisar cumprir obrigação mesmo com renovação automática da CNH

Renovação automática da CNH facilita o processo, mas exames médicos e taxas continuam obrigatórios.


Por Leticia Florenco

14/06/2026 às 08h04

Motoristas ainda vão precisar cumprir obrigação mesmo com renovação automática da CNH
Foto: Detran

A nova lei que permite a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para bons condutores foi recebida como uma medida capaz de reduzir a burocracia e facilitar a vida de milhões de brasileiros.

Sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira (5), a regra beneficia motoristas que não tenham cometido infrações sujeitas à pontuação nos 12 meses anteriores ao vencimento do documento.

Apesar da novidade, a atualização da CNH não será totalmente automática. Algumas exigências consideradas essenciais para a segurança no trânsito continuam obrigatórias.

Exames médicos seguem obrigatórios

Mesmo enquadrados como bons condutores, os motoristas precisarão realizar os exames de aptidão física e mental para renovar o direito de dirigir.

As avaliações deverão ocorrer presencialmente em clínicas credenciadas pelos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans).

A exigência permanece como uma forma de verificar se o condutor mantém condições adequadas para conduzir veículos com segurança, evitando riscos tanto para o próprio motorista quanto para os demais usuários das vias.

Custos continuam sendo responsabilidade do condutor

Outro ponto que não mudou é a necessidade de pagar pelos exames médicos. Os valores são definidos pelos órgãos estaduais e variam conforme a região do país.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, o custo atual do exame médico é de R$ 90.

Dessa forma, embora o processo tenha sido simplificado, os motoristas ainda precisarão incluir essa despesa no planejamento para a renovação da habilitação.

Congresso alterou proposta original

Quando a medida provisória foi apresentada pelo governo federal, em dezembro do ano passado, a intenção era permitir que os bons condutores renovassem a CNH sem a necessidade de exames presenciais.

No entanto, durante a tramitação no Congresso Nacional, parlamentares defenderam a manutenção das avaliações médicas.

A principal justificativa foi a importância do acompanhamento periódico das condições físicas e mentais dos condutores.

A mudança foi apoiada pelo senador Dr. Hiran (PP-RR), vice-presidente da comissão mista responsável pela análise da proposta.

Equilíbrio entre praticidade e segurança

O relator da matéria, senador Renan Filho (MDB-AL), afirmou que o texto aprovado busca conciliar a simplificação administrativa com a preservação dos mecanismos de segurança previstos no Código de Trânsito Brasileiro.

Segundo ele, a medida reduz parte da burocracia sem abrir mão de instrumentos importantes para a prevenção de acidentes e para a proteção da coletividade.

Nem todos terão direito ao benefício

A renovação automática também apresenta limitações relacionadas à idade dos condutores.

Motoristas com mais de 70 anos não poderão utilizar o benefício, mesmo que tenham mantido um histórico exemplar no trânsito. Para esse grupo, permanecem válidos os procedimentos tradicionais de renovação.

Já os condutores com idade entre 50 e 69 anos poderão recorrer à renovação automática apenas uma única vez.

Incentivo ao bom comportamento no trânsito

A nova legislação funciona como uma espécie de reconhecimento aos motoristas que respeitam as regras e mantêm uma conduta responsável ao volante.

Ao mesmo tempo, reforça que dirigir é um direito que exige cuidados permanentes com a saúde e o cumprimento das normas de trânsito.

Na prática, a renovação automática representa menos burocracia e mais agilidade. Ainda assim, os exames médicos continuam sendo uma etapa indispensável para garantir que milhões de brasileiros permaneçam aptos a conduzir seus veículos com segurança.