Pirâmide financeira na era digital: como identificar e evitar prejuízos
Golpes passaram a usar moedas digitais, robôs de operação e Inteligência Artificial para simular credibilidade e atrair vítimas; Procon-MPMG orienta como identificar e se proteger
Promessas de lucro rápido, renda garantida e investimento sem risco estão entre os principais sinais de alerta para identificar uma pirâmide financeira. O tema foi abordado pelo assessor jurídico do Procon-MPMG, Ricardo Amorim, em episódio do podcast da instituição, que explica como esses esquemas funcionam e por que continuam fazendo vítimas.
Segundo Amorim, a lógica da pirâmide depende da entrada constante de novos participantes. Quem chega é estimulado a investir dinheiro e atrair outras pessoas para o grupo. Parte dos valores pagos pelos novos integrantes é usada para remunerar quem entrou antes, criando a falsa impressão de que o negócio é lucrativo. Como não há, na prática, uma atividade econômica sustentável, a estrutura tende ao colapso.
De acordo com levantamento citado pelo Procon-MPMG, entre 90% e 95% dos participantes de pirâmides financeiras não conseguem obter lucro e acabam no prejuízo. Para Amorim, o percentual pode ser ainda maior, diante da facilidade de divulgação desses esquemas pela internet e do uso de novas tecnologias para dar aparência de credibilidade às fraudes.
O assessor lembra que, no passado, muitos golpes eram associados a produtos físicos, como perfumes, bebidas e outros itens usados para simular uma atividade comercial. Hoje, com frequência, a oferta aparece vinculada a supostos investimentos, moedas digitais, robôs de operação, Inteligência Artificial e plataformas on-line. A linguagem muda, mas a promessa costuma ser a mesma: ganhos altos, rápidos e sem risco.
Outro ponto destacado por Amorim é a estratégia de convencimento. Os responsáveis pelos esquemas costumam exibir ostentação nas redes sociais, com carros, viagens e sinais de prosperidade, para atrair interessados. Muitas vezes, a abordagem começa por amigos, parentes ou colegas de trabalho, o que aumenta a confiança da vítima e dificulta a percepção do golpe.
Sinais de alerta
Entre os principais indícios de fraude estão a exigência de pagamento inicial, a pressão para adesão imediata, a dificuldade de explicar claramente qual produto ou serviço está sendo oferecido e a ênfase no recrutamento de novos participantes, como destaca Amorim.
Também devem acender o alerta promessas de retorno garantido, falta de transparência sobre a empresa e ausência de autorização de órgãos reguladores, como Banco Central ou Comissão de Valores Mobiliários (CVM), quando o negócio se apresenta como investimento.
Amorim também chama atenção para atrasos em pagamentos e bloqueios de saque. Segundo ele, quando começam as justificativas para impedir a retirada do dinheiro, a pirâmide, geralmente, já está em fase de colapso. Nesses casos, é comum que os responsáveis aleguem problemas técnicos, ataques virtuais ou supostos bloqueios externos para tentar ganhar tempo antes de desaparecer.
O Procon-MPMG reforça que não existem investimentos sem risco ou com retorno garantido. Em caso de suspeita de fraude, a orientação é interromper novos pagamentos e reunir comprovantes, conversas e documentos para registrar denúncia. Reclamações podem ser feitas na Ouvidoria do Ministério Público de Minas Gerais, pelo telefone 127.
*Estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli











