Deputados aprovam fim de cotas raciais em universidades públicas de Santa Catarina

Projeto de lei extingue reserva de vagas por critério racial em instituições financiadas pelo Estado


Por Estadão Conteúdo

12/12/2025 às 12h07

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) aprovou, na quarta-feira (10), um projeto de lei que extingue a adoção de cotas raciais em universidades públicas do Estado e em instituições de ensino superior que recebem recursos estaduais. Caso a proposta seja sancionada pelo governador Jorginho Mello (PL), Santa Catarina passará a ser o primeiro estado do país a proibir de forma explícita a utilização de critérios raciais em processos seletivos vinculados ao poder público estadual.

O texto aprovado é o Projeto de Lei (PL) 753/2025, de autoria do deputado Alex Brasil (PL), e segue agora para análise do governador. A proposta determina que seleções financiadas com verbas estaduais não poderão reservar vagas com base em critérios raciais. Permanecem autorizadas, no entanto, políticas afirmativas direcionadas a estudantes de baixa renda, egressos da rede pública de ensino e pessoas com deficiência.

Se sancionada, a legislação prevê multa de até R$ 100 mil por edital para instituições que mantiverem a reserva de vagas a pretos, pardos ou indígenas, além da possibilidade de suspensão de repasses públicos. A medida pode atingir instituições como a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), faculdades vinculadas à Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe) e entidades privadas contempladas por programas estaduais, como o Universidade Gratuita e o Fundo de Apoio à Manutenção e ao Desenvolvimento da Educação Superior Catarinense (Fumdesc).

Universidades federais, como a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), não são impactadas pela proposta, uma vez que seguem legislação federal específica sobre políticas de acesso ao ensino superior.

A tramitação do projeto gerou debate entre os parlamentares. O primeiro relator da matéria, deputado Fabiano da Luz (PT), emitiu parecer contrário, ao considerar o texto inconstitucional. Após mudança de relatoria, o projeto voltou à pauta e acabou aprovado em plenário, com sete votos contrários.

Na justificativa apresentada, o deputado Alex Brasil defendeu que ações afirmativas devem priorizar critérios econômicos. Segundo ele, políticas baseadas em recorte racial geram questionamentos jurídicos e podem contrariar os princípios da isonomia e da impessoalidade na administração pública.

Repercussão

A Ordem dos Advogados do Brasil em Santa Catarina (OAB-SC) informou à Agência Brasil que fará uma análise técnico-jurídica da proposta aprovada. De acordo com a instituição, o objetivo é avaliar a constitucionalidade do texto e eventuais medidas a serem adotadas, caso o projeto seja sancionado pelo governador.

Em nota, a OAB-SC afirmou que políticas de cotas afirmativas não configuram discriminação. “Ao contrário, representam um dever do Estado na promoção da efetiva igualdade e no enfrentamento das desigualdades históricas – resultantes, no caso da questão racial, de séculos de escravização”, diz o texto enviado à Agência Brasil.

A entidade informou ainda que a análise também deverá abordar a autonomia das instituições de ensino para regulamentar políticas de acesso de estudantes, além de critérios relacionados ao corpo docente e técnico-administrativo. (Com informações da Agência Brasil)

* Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe