Black Friday coincide com primeira parcela do 13º e exige pesquisa e cautela
Em Juiz de Fora, lojas do comércio de rua podem manter as portas abertas em horário estendido neste sábado
A Black Friday chega às lojas brasileiras nesta sexta-feira, 28 de novembro. No Brasil, a data também é marcada pelo pagamento da primeira parcela do décimo terceiro salário aos trabalhadores com carteira assinada. O clima é de otimismo. Os comerciantes esperam aumento de até 15% nas vendas em Juiz de Fora e de 40% em Minas Gerais. Com uma perspectiva ponderada, economista defende o “meio do caminho”: cautela diante do consumo excessivo, sem esquecer o planejamento financeiro.
Em Juiz de Fora, o Sindicato do Comércio (Sindicomércio) espera movimentação intensa no comércio de rua, principalmente no Calçadão da Halfeld, nas galerias e nas ruas da região central, onde muitas lojas costumam oferecer descontos. A fim de estimular as vendas, o sindicato autorizou as lojas do Centro e dos bairros a atenderem em horário estendido, de 9h às 16h, no próximo sábado, 29 de novembro.
Com projeções positivas, o presidente do Sindicomércio, Emerson Beloti, prevê aumento de até 15% nas vendas do comércio de rua neste sábado. Ele acredita que a data representa uma chance para aquecer as vendas antes do período natalino e considera uma antecipação das antigas promoções feitas em janeiro. “Para garantir que a data seja um sucesso na cidade, iniciamos uma ampla campanha de divulgação, fortalecendo ainda mais o comércio de Juiz de Fora, principalmente o comércio de rua, uma marca da nossa identidade econômica”, afirma.

Black Friday não interfere no Natal
Em Minas Gerais, mais da metade dos comerciantes compartilham a expectativa de aumento de até 40% das vendas durante a Black Friday deste ano, conforme pesquisa da Fecomércio MG. A maioria também acredita que este período de ofertas não interfere nas vendas de Natal.
Revelando o cenário otimista, foi registrado aumento na participação das ações de vendas, com 39,2% dos comerciantes mineiros oferecendo descontos na data comercial; no ano passado, 37,9% participaram. A pesquisa também demonstrou que mais de 15% das empresas do estado indicaram que dariam descontos acima de 50%.
Quanto aos tipos de comércio envolvidos, as lojas físicas mostraram maior participação: 38,4% garantiram oferecer descontos especiais na Black Friday deste ano. Em comparação, apenas 21,9% das lojas virtuais sinalizaram participar.
Mais de 30% não vão comprar nada
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta movimentação financeira de R$ 5,40 bilhões na Black Friday deste ano, a maior desde o início da série histórica. Dentre os segmentos que mais prometem movimentar a data, estão os de hiper e supermercados, eletroeletrônicos, eletrodomésticos, utilidades domésticas, vestuário, acessórios, farmácias, perfumarias e cosméticos.
Apesar da confiança no sucesso da data, o endividamento do brasileiro pode ser um obstáculo para atingir essas cifras. De acordo com a pesquisa, 30,5% das famílias têm contas em atraso e 13,2% não têm condições de honrar compromissos financeiros, patamar considerado recorde, o que pode frear o consumo nesta data comercial.
Nessa contramão, pesquisa da AtlasIntel mostrou que a maioria dos consumidores (94,1%) não confia nas promoções anunciadas. Em caminho similar, levantamento da Hibou, instituto especializado em monitoramento e insights de consumo, revelou que 55% dos brasileiros disseram que não tinham certeza sobre fazer compras na Black Friday, enquanto 31% afirmam que não irão comprar nada.
Economista explica “memória do consumo”e alerta para falta de cautela
O economista Wilson Rotatori explica que a consolidação da Black Friday no Brasil está ligada à “memória do consumo” construída pelas campanhas publicitárias, que criam no consumidor a percepção de que nesse período são oferecidos descontos. “Em termos de efeito econômico, a diluição que teríamos ao longo do ano para o consumo passa a ser concentrada nesse período. Este é o principal efeito da data, e o que marca a consolidação é este processo de informação e aprendizagem”, afirma.
No Brasil, a Black Friday coincide com a data limite para pagamento da primeira parcela do abono natalino, o que pode influenciar o consumo, mas também aumenta o risco de endividamento. Sob uma perspectiva ponderada, o economista alerta que a concentração do consumo neste período, considerando também as despesas eventuais do Natal, pode ser um risco por envolver, constantemente, impulsividade e imprudência. “Precisamos lembrar do início do ano, no qual muitas famílias têm despesas maiores e fixas. O consumidor precisa ter cuidado com as dívidas para os meses seguintes.”

Procon de Juiz de Fora promove ações contra superendividamento
Segundo o Procon de Juiz de Fora, como a Black Friday é um período voltado para incentivar o consumismo e apresenta poucas promoções efetivas, o objetivo, nesse momento, é reforçar ações de organização do orçamento familiar. Dentre elas, estão previstas ações educativas nas redes sociais para orientar os consumidores quanto a seus direitos, bem como dicas de planejamento financeiro.








