Mais cara, energia elétrica pressiona inflação oficial de julho

IPCA aponta, ainda, que grupo alimentos tem primeira queda em meses


Por Mariana Souza*

14/08/2025 às 06h00

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,26% em julho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa aumento de 0,02 ponto percentual (p.p.) em relação a junho. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 5,23%, abaixo dos 5,35% registrados no período anterior, mas ainda muito acima do centro da meta (3%) definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Diferente dos meses anteriores, julho teve recuo nos preços dos alimentos consumidos em casa (-0,69%). Entre os itens com maiores quedas estão batata-inglesa, cebola e arroz. O café também se destacou, com retração de 1,01% – a primeira em 18 meses.

Já a alimentação fora do domicílio subiu 0,87%, frente a 0,46% em junho. O subitem lanche acelerou de 0,58% para 1,90%, enquanto a refeição passou de 0,41% para 0,44%.

O economista e professor da Faculdade de Economia da UFJF Weslem Faria observa que diferentes fatores vêm influenciando a inflação ao longo do ano. “Tivemos, em determinados momentos, forte pressão dos alimentos, devido a mudanças climáticas, aumento de custos de produção e insumos. Agora, a energia elétrica ganha protagonismo”, explica.

Bandeira vermelha em vigor

Também impulsionado pela energia elétrica residencial, que subiu 3,04% e foi o subitem de maior impacto individual no índice (0,12 p.p.), o grupo habitação registrou subiu 0,91% no mês passado. Entre janeiro e julho, a energia elétrica acumula aumento médio de 10,18% – a maior variação para o período desde 2018 (13,78%).

Segundo o IBGE, a alta decorre de reajustes tarifários e da cobrança da bandeira vermelha patamar 1, adotada para custear o uso de usinas termelétricas devido à baixa nos reservatórios das hidrelétricas. O adicional, mantido em julho, foi de R$ 4,46 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.

As bandeiras tarifárias, definidas pela Aneel, são aplicadas quando as condições de geração elétrica são desfavoráveis, exigindo maior uso de termelétricas, que têm custo mais elevado. Em agosto, está em vigor a bandeira vermelha patamar 2.

Impacto no orçamento familiar

Para Faria, o aumento da energia afeta diretamente o orçamento das famílias. “A conta de luz pesa, e muitas famílias acabam reduzindo o consumo de outros itens para compensar. Há casos de isenção pela Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE), que concede descontos a famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico, mas a maioria ainda sente o impacto”, afirma.

Segundo Faria, com a bandeira vermelha em vigor, a tendência é que as famílias busquem economizar, reduzindo tempo de banho e uso de equipamentos. Ele projeta melhora no cenário com a chegada do verão, que pode reduzir a necessidade de acionamento das termelétricas.

Outros grupos em alta

O grupo transportes acelerou de 0,27% em junho para 0,35% em julho, influenciado pelo aumento de 19,92% nas passagens aéreas (impacto de 0,10 p.p.). Os combustíveis caíram 0,64%, com recuos em etanol (-1,68%), óleo diesel (-0,59%), gasolina (-0,51%) e gás veicular (-0,14%).

Em saúde e cuidados pessoais (0,45%), destacaram-se higiene pessoal (0,98%) e planos de saúde (0,35%). A ANS autorizou reajuste de até 6,06% para planos contratados após a Lei 9.656/98, com vigência de maio de 2025 a abril de 2026. Para contratos anteriores, a variação permitida é de 6,47% a 7,16%, conforme o plano.

O grupo despesas pessoais teve a segunda maior variação (0,76% e 0,08 p.p.), puxado pelo reajuste nos jogos de azar, que subiram 11,17% a partir de 9 de julho (impacto de 0,05 p.p.).

*estagiária sob supervisão da editora Fabíola Costa