Em JF, Daniele Hypólito fala sobre transformação através do esporte

Ex-atleta com cinco participações em Olimpíadas conversa com crianças e inspira jovens esportistas


Por Davi Sampaio

10/07/2025 às 18h36- Atualizada 11/07/2025 às 07h32

A ex-ginasta Daniele Hypólito esteve em Juiz de Fora nesta quinta-feira (10) para ministrar palestras no Centro de Ensino Estácio Juiz de Fora e conversar com crianças do Instituto Amargen, no Bairro Dom Bosco, Cidade Alta, que oferece aulas de ginástica. A Tribuna acompanhou a agenda da medalhista mundial na cidade e realizou uma entrevista exclusiva, que pode ser lida ao final da matéria.

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Daniele conversou com crianças na Estácio (Foto: Leonardo Costa)

Às 9h30, Daniele chegou à Estácio e se apresentou para cerca de 230 crianças e adolescentes de escolas públicas, sempre explorando a motivação. Lá, falou de sua história, das dificuldades na carreira e das glórias conquistadas. Reforçou, também, a importância de não desistir e seguir os sonhos. Para finalizar, contou sobre a experiência de disputar as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.

Uma das crianças presentes era Julia Silva, de 8 anos, moradora do Bairro Vila Esperança 1, na Zona Norte. Ela foi até a atleta, deu um abraço, pegou o microfone, e encantou quem acompanhava a conversa. “Eu gosto muito de ginástica, acho muito legal. Vi as Olimpíadas e conheço a Daniele do TikTok. Quero ser igual ela, ser profissional e chegar na seleção”, conta a pequena.

Na visão da mãe, Monique Silva, a filha sempre teve desenvoltura, e por isso, busca investir para que, no futuro, ela se torne profissional. “Gostava de dar estrelinha, comecei a ver que era dom. Teve o despertar depois das Olimpíadas, com as medalhas das atletas. Hoje, faz aulas três vezes na semana no Bairro Mariano Procópio. No final de semana estivemos em Cabo Frio para a Júlia participar de uma competição. Estarei sempre junto com ela”, diz. Após a palestra, Daniele tirou foto e conversou com todos que foram até o local para vê-la.

“É uma honra”

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Atleta contou sobre sua trajetória para crianças do Instituto Amargen (Foto: Felipe Couri)

Depois, às 15h, Daniele esteve no Instituto Amargen. Também conversou com várias crianças, assistiu à apresentação de ginástica das pequenas atletas e abriu rodas de perguntas. No final, também se apresentou, para aplausos de todo que acompanharam a visita. À reportagem, ela vibrou por continuar sendo fonte de inspiração para as as pessoas.

“É uma honra continuar sendo referência para as crianças, mesmo as que não me viram competir. A internet ajuda muito a manter essa conexão. E isso traz também uma responsabilidade. Quando você é referência, precisa ter cuidado com o que posta, com o que fala. Ter a oportunidade de ser parceira, de ir a esses lugares, conhecer ONGs, falar com os alunos e incentivar. É muito especial. O mais importante é o incentivo e a motivação”, afirma Daniele.

Conforme a ex-atleta, os projetos sociais de ginástica são importantes para trazer esperança aos alunos. “Faz eles sonharem de novo, se encantarem com as profissões e dá uma visão de futuro. É um valor imensurável. Você vê o cuidado com as crianças, com a leitura, com os pais aprendendo também, e isso é gigantesco. Se cada ONG cuida de um entorno, aos poucos você vê a esperança voltando para os olhos”, conta.

Já na parte da noite, Daniele ainda ministrou mais uma palestra para convidados e autoridades no campus do Centro de Ensino Estácio Juiz de Fora.

Confira na íntegra a entrevista com a atleta

Tribuna: Como foi para você o dia aqui em Juiz de Fora?

Daniele: Está sendo uma experiência maravilhosa, porque junta duas coisas que eu amo, que são o esporte e a educação. A Estácio é meu parceiro há 12 anos, então poder hoje estar no Centro Universitário de Juiz de Fora e participando dos 25 anos de comemoração da Estácio em Minas é mostrar que a educação é muito importante, porque todas as profissões começam pelos professores. Ter uma instituição de ensino que apoia vários projetos, não só o esporte, mas também a alfabetização e um projeto voltado para mulheres, é algo de uma grandeza gigantesca. Quando você começa a ver que uma instituição abre caminhos e oportuniza a vida de outras pessoas, isso realmente impacta.

Você falou muito sobre o trabalho mental nas suas palestras. Como foi lidar com a pressão ao longo da sua carreira?

A pressão nas competições foi algo que aprendi a lidar com o tempo. No começo, me atrapalhava sim, mas fui aprendendo a entender quais pressões valiam a pena absorver e quais não. Em 2012, com a equipe multidisciplinar, aprendi técnicas de concentração. Até hoje continuo meu trabalho com meu psicólogo, o Ian, porque o cuidado com a mente deve ser igual ao cuidado com o corpo. Hoje em dia as pessoas têm mais acesso à informação sobre a importância da psicologia, da saúde mental. É importante ter essa regularidade, com uma ou duas consultas por mês. Cuidar da mente faz parte da rotina.

Você também falou da importância da sua família. Como foi essa parceria com o Diego, que também idealizou o Instituto Hypólito?

Sempre foi muito bom poder ter o Diego perto e ter minha família por perto. O Instituto do Diego, que ele idealizou, é o Instituto Hypólito. A gente entrou junto nesse sonho dele. Quando tem eventos, competições, a família inteira está envolvida. Isso me inspira também a tirar do papel o meu projeto, que, se Deus quiser, vai virar algo fixo e sólido como o dele, que já tem três anos, já abriu mais uma unidade e vai crescer ainda mais. É uma inspiração muito grande.

Você sente que a ginástica evoluiu nos últimos anos no Brasil?

Evoluiu bastante, principalmente depois das medalhas da Rebeca. Vemos muitas crianças praticando. Mas é fundamental investir na base. É ali que os resultados futuros são construídos. O investimento tem que vir de forma contínua, fortalecendo essa estrutura.

E hoje, qual é a sua relação com o esporte?

Ainda é muito ativa. Faço comentários, dou palestras, sou madrinha do Gerge no Rio de Janeiro, sou madrinha dos atletas do Rio de Janeiro, então também estou envolvida com o esporte. Eu amo esporte, então não é só a ginástica que eu amo. De maneira geral, eu gosto muito do esporte.

Perguntas bate-pronto

Um momento inesquecível.
Primeira medalha da história da ginástica.

Um ídolo no esporte.
Diego Hypólito. 

Uma música que te motivava.
Vencedor
, da Jamily.

Um país em que você adorou competir.
Espanha.

Por quê?
Porque eu gostei muito da cultura da Espanha.

O melhor atleta que você já esteve ao lado.
Usain Bolt.

Representar o Brasil em várias Olimpíadas foi:
Emocionante.

Uma palavra que define sua trajetória.
Amor ao esporte.

Se não fosse ginasta, o que você teria sido?
Ginasta da rítmica.

O que te inspira atualmente?
Cada sorriso de uma criança.

Ver a nova geração de ginastas para você é:
Orgulho.